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Alunos produzindo mapa de Belo Horizonte, com pontos estratégicos, destacando problemas e soluções sustentáveis.

Alunos da rede pública transformam vivências urbanas em soluções para uma BH mais sustentável

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Buracos nas ruas, pontos de ônibus que alagam, falta de iluminação, insegurança, saneamento precário e áreas degradadas. Mas também praças, parques, espaços de convivência e locais carregados de afeto.

Foi a partir desse olhar sobre os próprios territórios que estudantes da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, deram mais um passo na Jornada Científica 2026, programa do BH-TEC que conecta jovens da rede pública à ciência, à inovação e aos desafios reais das cidades.

Nesta nova etapa do projeto, os alunos participaram de uma dinâmica de cartografia social, metodologia que utiliza mapas, registros e vivências coletivas para compreender os territórios a partir da experiência das próprias pessoas que vivem neles.

Entre afetos e problemas urbanos

Cartaz produzido pelos alunos denominado "Árvore dos Sonhos", com soluções para uma cidade mais sustentável.
“Árvore dos Sonhos” produzida pelos alunos, com propostas e soluções para uma cidade mais sustentável

A atividade propôs que os estudantes saíssem da escola para observar o cotidiano sob uma nova perspectiva: registrando, por meio de fotos e vídeos, situações ligadas a mobilidade, infraestrutura, segurança, meio ambiente e qualidade de vida.

Depois, tudo foi transformado em um grande mapa colaborativo.

“Eu achei interessante porque cada um mostrou sua perspectiva e seu próprio entendimento do que vive. Como cada um tem seu próprio entendimento, é legal discutir porque aparecem vários pontos de vista diferentes”, destaca Stephane Alves, de 19 anos.

Os estudantes também construíram dois painéis simbólicos: o “Muro das Lamentações”, reunindo os principais problemas identificados nos bairros, e a “Árvore dos Sonhos”, em que imaginaram como seria uma cidade ideal inspirada pelo ODS 11 da ONU, voltado a cidades e comunidades sustentáveis: tema da Jornada deste ano.

Entre os desejos escritos nos post-its estavam melhorias no saneamento, mais áreas verdes, reforço na iluminação pública, segurança, mobilidade urbana e acesso gratuito ao transporte.

Cidade vista pelos estudantes

A dinâmica revelou não apenas os desafios urbanos percebidos pelos jovens, mas também a capacidade crítica e colaborativa construída ao longo da atividade.

“Todo mundo ajudou e colaborou na criação do mapa, colocou o que gostava e o que não gostava. Eu aprendi muito sobre coisas que eu não sabia do meu bairro e também de outros bairros da cidade”, afirma Estêvão Souza.

Segundo ele, a troca de experiências ampliou o olhar dos próprios alunos sobre Belo Horizonte.

“Aprendi sobre problemas que eu queria resolver, mas também sobre coisas boas, como parques e praças. E isso aconteceu graças às pessoas que ajudaram a construir o mapa”, relata.

Mapa de Belo Horizonte vista pela perspectiva dos alunos, com problemas destacados.
Mapa de Belo Horizonte vista pela perspectiva dos alunos, com problemas destacados.

Ciência conectada à realidade

A proposta da Jornada Científica é justamente aproximar ciência, pensamento crítico e realidade social, fazendo com que os estudantes desenvolvam soluções conectadas aos desafios urbanos contemporâneos.

Para o gestor e professor de matemática Daniel Moreira, que atua há 11 anos na escola, o impacto já é perceptível no cotidiano dos alunos.

“Esse projeto com o BH-TEC é mais um desses projetos muito interessantes para a nossa escola. Faz uma diferença muito grande para os nossos alunos e está sendo muito enriquecedor”, afirma.

Segundo o educador, as experiências vividas ao longo da Jornada ampliam horizontes e criam novas possibilidades de futuro para os estudantes.

“Isso vai fazer muita diferença para o futuro deles, porque eles estão conhecendo coisas que talvez não conheceriam fora da escola”, destaca.

Muito além da sala de aula

Criada em 2023 pelo Centro de Inteligência em Sustentabilidade do BH-TEC, a Jornada Científica aproxima estudantes da educação básica do universo da ciência, inovação e sustentabilidade por meio de oficinas, visitas técnicas e desenvolvimento de projetos ao longo do ano.

Na edição de 2026, os alunos aprofundam discussões relacionadas ao ODS 11, em uma programação que conecta conhecimento científico, experiências práticas e construção de soluções ligadas aos desafios das cidades.

Desde a primeira edição, o programa vem ampliando seu alcance e impacto. Em 2023, a Jornada teve como tema a água (ODS 6), trabalhado com alunos do Instituto Casa Viva de Educação e Cultura.

Em 2024, estudantes da Escola Municipal Monsenhor Artur de Oliveira discutiram o ODS 12, voltado ao consumo e produção responsáveis; e, em 2025, a iniciativa chegou à Escola Municipal Professor Hilton Rocha, com foco no ODS 13, sobre ação contra as mudanças climáticas.

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