O que começou como uma proposta de estudantes de uma escola pública para tornar o próprio ambiente escolar mais sustentável chegará, nesta terça-feira (3), ao centro de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O EcoEscola, desenvolvido por alunos da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães durante a Jornada Científica 2026, do BH-TEC, será debatido pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia a partir das 10h.
A dimensão alcançada pelo projeto vai além da apresentação da experiência. A audiência pretende discutir como as soluções construídas pelos estudantes podem contribuir para o aprimoramento do Projeto de Lei 4.783/2025, que institui a política estadual de arborização escolar e cria o Selo Escola Verde. A reunião também prevê a entrega de votos de congratulações aos idealizadores da proposta.
É um novo capítulo de um percurso iniciado dentro da escola, com estudantes investigando problemas, visitando ambientes de ciência e tecnologia e desenvolvendo soluções a partir do ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis. Em setembro, quando o projeto foi apresentado pela primeira vez à presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Beatriz Cerqueira, a possibilidade de uma audiência ainda dependia da aprovação de um requerimento. O pedido foi aprovado pela Comissão em 14 de outubro.
“Chegar à Assembleia é um passo importante no exercício da cidadania. A proposta nasceu de demandas reais, foi construída coletivamente pela comunidade escolar e agora entra em um espaço de participação democrática, com a possibilidade de contribuir para uma política que alcance outras escolas de Minas”, afirma Bernadete Bittencourt, gestora da Jornada Científica 2026.

Da escola ao Legislativo
Durante a Jornada, os estudantes foram provocados a pensar caminhos para tornar cidades e comunidades mais sustentáveis e levaram essa discussão para o lugar onde passam boa parte dos dias: a própria escola.
Foi assim que nasceu o EcoEscola. A proposta reúne ações como horta urbana, parede verde, bicicletário e gestão de resíduos, com a ideia de transformar o ambiente escolar em um laboratório vivo de sustentabilidade. Parte das soluções começou a ser implementada ainda durante a Jornada, como a recuperação de uma horta em espiral e a preparação de uma horta vertical com materiais reaproveitados.
Em setembro, a estudante Estela Alves representou os colegas na primeira apresentação do projeto na ALMG. “O nosso projeto é esse: tentar levar para outras escolas do estado essa EcoEscola, essa sustentabilidade na cidade que a gente desenvolveu na Jornada Científica do BH-TEC”, explicou na ocasião.

A reunião abriu um caminho que agora ganha uma dimensão formal. A audiência desta terça-feira foi solicitada por Beatriz Cerqueira, presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, e terá entre os convidados representantes do BH-TEC e da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães.
Estão confirmados Marco Aurélio Crocco, presidente do BH-TEC; Camila de Oliveira Viana, assessora de Sustentabilidade do Parque; Daniel Moreira Dias, diretor da escola; e Luciana Ramos de Almeida Azeredo, coordenadora do Ensino Médio e professora de Biologia e Sustentabilidade.
Contribuição para uma lei
O EcoEscola não é o projeto de lei em tramitação na Assembleia. A experiência construída pelos estudantes será apresentada como contribuição para uma discussão legislativa que já existe: o PL 4.783/2025, atualmente em análise na Casa.
A proposta legislativa cria o Selo Escola Verde e prevê o estímulo a ações de arborização e manutenção de áreas verdes em estabelecimentos de ensino. O texto já passou pelas Comissões de Constituição e Justiça, de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Educação, Ciência e Tecnologia e aguarda análise na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

É justamente nessa discussão que a experiência da Jornada Científica poderá oferecer referências construídas a partir do cotidiano de uma escola pública. Quando recebeu os estudantes em setembro, Beatriz Cerqueira antecipou a intenção de abrir essa escuta. “Todo mundo vai trazer as contribuições para o projeto de lei que está em tramitação aqui na Assembleia sobre Selo Verde nas nossas escolas estaduais”, afirmou a presidente da Comissão.
Para o BH-TEC, a chegada a esse espaço amplia o próprio significado da Jornada. “É justamente esse o papel da Jornada: aproximar o ensino básico do fazer científico e também das decisões que moldam a nossa sociedade”, afirma Bernadete.
A Jornada terminou. O projeto, não
A Jornada Científica 2026 teve seu ciclo de atividades encerrado em setembro, durante o EcoParque, quando os estudantes apresentaram o EcoEscola para jovens de outras instituições de ensino. Na ocasião, Bernadete já destacava o protagonismo assumido pela turma: “Eles olharam para a própria escola, identificaram possibilidades e transformaram o aprendizado em uma proposta concreta”.
A edição deste ano foi orientada pelo ODS 11 e conduziu os estudantes por meses de investigação, visitas técnicas e experimentação. O grupo conheceu espaços relacionados à pesquisa, à tecnologia, ao planejamento e à gestão das cidades antes de transformar o conhecimento acumulado em propostas para a própria comunidade escolar.

Criada em 2023 pelo Centro de Inteligência em Sustentabilidade do BH-TEC, a Jornada Científica aproxima estudantes da rede pública da ciência aplicada a partir de problemas reais. Mais do que apresentar conceitos, a iniciativa busca fazer com que os jovens investiguem, experimentem e construam soluções.
Em 2026, esse caminho ganhou um desdobramento que ultrapassou o calendário do programa. Meses depois de começar dentro de uma sala de aula, o projeto construído pelos estudantes chega a uma audiência pública para ser ouvido por quem participa da formulação de políticas para as escolas de Minas.