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EcoParque 2026 | Virgínia Muniz/BH-TEC

EcoParque reúne mais de 300 estudantes em dia de ciência, tecnologia e sustentabilidade

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Cobras, robôs, nanotecnologia, jogos sobre cidades, experimentos, oficinas e trilhas por áreas verdes e ambientes de pesquisa. O EcoParque 2026 transformou o BH-TEC, hoje (22), em um grande espaço de experimentação científica para 356 estudantes de nove instituições de ensino, acompanhados por 26 professores.

Ao longo de dois turnos, os jovens circularam por atividades de ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade – e acompanharam também a apresentação que marcou o encerramento da Jornada Científica 2026.

Foram 214 alunos pela manhã e outros 142 à tarde. A programação se espalhou por diferentes espaços do Parque: da já tradicional tenda instalada na rotatória em frente ao BH-TEC ao hall do edifício principal, passando por oficinas com horário marcado, visitas a empresas e dois percursos pela área verde.

Entre as instituições participantes estavam Colégio CEM, E.E. Prof. Neidson Rodrigues, E.E. Prof. Alisson Pereira Guimarães, E.E. Conselheiro Antão, CENTEC, E.E. Senhora do Bonsucesso, IFMG Betim, E.E. Ana Carvalho Silveira e E.E. Técnico Industrial Professor Fontes.

10 escolas de todo o estado participaram do EcoParque 2026 | Virgínia Muniz/BH-TEC

O evento encerrou, ainda, um percurso iniciado meses antes com os estudantes da Jornada Científica. O projeto EcoEscola, desenvolvido pela turma da E.E. Prof. Alisson Pereira Guimarães a partir do ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis – foi apresentado a outros jovens durante o EcoParque. O momento foi acompanhado também por uma emissora de televisão, que entrevistou uma das estudantes participantes da Jornada.

“O EcoParque aproxima os estudantes da ciência de uma forma muito concreta. Eles experimentam, perguntam, conhecem pesquisadores e descobrem possibilidades que muitas vezes parecem distantes da realidade escolar”, afirma Camila Viana, assessora de Sustentabilidade do BH-TEC.

Neste ano, o encontro ganhou uma conexão ainda maior com a Jornada Científica. “Receber aqui a apresentação final de um projeto construído pelos próprios estudantes ao longo de meses reforça essa proposta de despertar curiosidade e mostrar que os jovens também podem produzir conhecimento e propor soluções”, completa Camila, também coordenadora do CIS, o Centro de Inteligência em Sustentabilidade, idealizador do EcoParque.

Os alunos participantes da Jornada Científica 2026 apresentaram o trabalho produzido durante o programa para outros estudantes | Virgínia Muniz/BH-TEC

Ciência para ver e tocar

Na tenda instalada em frente ao Parque Tecnológico, uma das atrações veio da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Serpentes conservadas, réplicas, modelos de dentição e uma maquete sobre a produção de soros ajudaram os estudantes a compreender animais peçonhentos e a resposta científica aos acidentes provocados por eles.

“Temos serpentes, uma maquete da produção de soros e exemplares de artrópodes, como aranhas e escorpiões. Os modelos de dentição também ajudam a explicar quais animais inoculam veneno e como isso acontece”, explica Fábio de Castro, biólogo da Funed, ao explicar o programa Ciência em Movimento.

Os estudantes conseguiram ver animais peçonhentos de perto | Virgínia Muniz/BH-TEC

No mesmo espaço, o CTNano levou modelos de grafeno, nanotubos de carbono e fulerenos, além de jogos voltados à divulgação da nanotecnologia. A IdeaReal também integrou as atividades permanentes da tenda.

“É muito importante fazer essa divulgação da ciência, principalmente da nanotecnologia, que já está presente em diversas aplicações. Tem sido muito bom ver os jovens interessados, fazendo perguntas e participando”, afirma Luiz Filipe Quadro Santana, do CTNano e mestrando da UFMG.

O estande do CTNano apresentou modelos grafeno, nanotubos de carbono e fulerenos | Virgínia Muniz/BH-TEC

Robôs, hidrogênio e cidades

Dentro do edifício do BH-TEC, outras experiências ampliaram a programação. O projeto 1000 Futuros Cientistas apresentou atividades interativas de robótica e programação, com uma mensagem direta aos estudantes: tecnologia também pode ser criada por eles.

“É importante mostrar que a ciência faz parte do cotidiano e que os jovens podem produzir tecnologia, e não ser simplesmente usuários de tecnologia”, explica Everaldo da Silva, integrante do projeto e doutorando da UFMG.

O projeto 1000 Futuros Cientistas permitiu os alunos interagirem com projetos de robótica | Gabriel Guerra/BH-TEC

O LaMPaC (Laboratório de Materiais e Pilhas a Combustível) levou uma maquete relacionada a trem e hidrogênio. Já o projeto Natureza Política, da Escola de Arquitetura da UFMG, apresentou jogos que convidavam os estudantes a pensar as cidades para além da perspectiva humana e a conhecer melhor árvores nativas e sua relação com o ambiente urbano.

Uma das estudantes que circularam pelas atividades foi Rafaela Ferreira, de 16 anos. A experiência permitiu descobrir conceitos que ainda não conhecia. “Me explicaram sobre células, vírus e os tipos de anticorpos. Eu não sabia que existiam tipos diferentes. Achei muito divertido”, conta.

O programa Natureza Política levou jogos de tabuleiro que ensinaram sustentabilidade na cidade de um jeito divertido | Gabriel Guerra/BH-TEC

Do laboratório à mata

Nem todas as atividades ficaram concentradas em estandes. Oficinas, entre elas a de programação com Micro:bit, ocorreram em horários definidos, enquanto grupos de estudantes se dividiram também entre trilhas tecnológicas e ecológicas.

A programação já previa essa combinação de experimentação científica, oficinas, natureza e contato com ambientes de Pesquisa & Desenvolvimento instalados no Parque.

Na trilha tecnológica, os participantes conheceram CTNano, BioConsulting e CEVA, entrando em contato com espaços onde pesquisa e desenvolvimento fazem parte da rotina.

Um dos espaços visitados na Trilha Tecnoloógica foi a Bioconsulting, focada em biotecnologia | Virgínia Muniz/BH-TEC

“Achei sensacional trazer a escola para dentro do laboratório. Abriu a mente deles para querer estudar. O laboratório ampliou as nossas visões. Colocar a escola em movimento é muito importante: todo aluno, toda escola deveria ter essa oportunidade”, afirma Andréia Cristina Dias, professora do 1º ano do Ensino Médio da E.E. Ana Carvalho Silveira.

Já a trilha ecológica foi organizada em dois percursos – Mergulhão e Lagoa – pela área verde preservada do BH-TEC, aproximando os estudantes da fauna e da flora existentes dentro do próprio Parque.

“Essa trilha foi importante para conectar os participantes à biodiversidade presente na área de preservação ambiental do BH-TEC e mostrar como a preservação ambiental pode dialogar com as soluções tecnológicas desenvolvidas aqui no Parque”, afirma Marcia Sousa, do BH-TEC.

Os alunos entraram dentro da mata do BH-TEC e vivenciaram a natureza dentro do Parque | Ana Luísa Belo/BH-TEC

A sensação de descoberta também apareceu entre quem visitava o BH-TEC pela primeira vez. Maria Cristina Silva, estudante do 8º ano da Escola Estadual Conselheiro Antão, resumiu o impacto da experiência:

“Isso aqui, para nós que viemos de escola pública, é um mundo completamente paralelo. Eu não imaginava que fosse um lugar tão científico, não sabia de tantas coisas. É um lugar maravilhoso e, no ano que vem, se tiver oportunidade de voltar, eu volto com certeza”.

Uma Jornada chega ao fim

Para os estudantes da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães, o EcoParque representou também a conclusão de um percurso iniciado meses antes. Em 2026, a Jornada Científica teve como eixo o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis – e conduziu o grupo por atividades de investigação, visitas técnicas e experimentação até o desenvolvimento de uma proposta própria.

O resultado foi o EcoEscola, projeto que reúne soluções como horta, parede verde e bicicletário e começou a ganhar forma dentro da própria instituição. Durante o EcoParque, os jovens apresentaram a experiência a estudantes de outras escolas, fechando o ciclo da Jornada diante de um público muito maior.

Os estudantes da Jornada Científica 2026 transformaram sua escola em uma EcoEscola | Gabriel Guerra/BH-TEC

“Com o EcoParque, encerramos a Jornada Científica de 2026 com os estudantes apresentando aquilo que construíram ao longo do processo. Foram meses de investigação, visitas e experimentação até chegar a uma proposta desenvolvida por eles”, afirma Bernadete Bittencourt, gestora da Jornada Científica.

“O mais importante é perceber o protagonismo que assumiram. Eles olharam para a própria escola, identificaram possibilidades e transformaram o aprendizado em uma proposta concreta”, completa.

Ciência como possibilidade

Criada em 2023 pelo Centro de Inteligência em Sustentabilidade do BH-TEC, a Jornada Científica aproxima estudantes da rede pública do universo da ciência aplicada por meio de palestras, experimentos, visitas técnicas e desenvolvimento de projetos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Em 2023, a iniciativa trabalhou o ODS 6, relacionado à água. Em 2024, o tema foi consumo e produção responsáveis, a partir do ODS 12. No ano seguinte, os participantes se dedicaram ao ODS 13, sobre ação climática. Em 2026, cidades e comunidades sustentáveis conduziram a programação.

O EcoParque amplia essa aproximação em escala: em um único dia, centenas de jovens circulam entre pesquisadores, empresas, laboratórios e áreas de preservação, conhecendo diferentes caminhos da ciência e da tecnologia. Para muitos deles, é também a oportunidade de descobrir que esses ambientes podem fazer parte do próprio futuro.

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