O projeto de transformar a Escola Estadual Alisson Pereira Guimarães em um espaço mais sustentável começou a ganhar forma concreta nesta quinta-feira (28). Estudantes da Jornada Científica 2026, iniciativa do BH-TEC, colocaram a mão na terra para iniciar a construção de uma horta, uma das primeiras intervenções do projeto EcoEscola desenvolvido pela própria turma ao longo da programação.
A atividade marca a passagem das discussões sobre cidades e comunidades sustentáveis para mudanças no espaço em que os jovens estudam todos os dias. Além da horta em espiral, dedicada principalmente ao cultivo de ervas medicinais, o trabalho incluiu os primeiros passos de uma horta vertical, que utilizará garrafas PET reaproveitadas. Parede verde e outras soluções também integram o projeto.
“Primeiramente, a gente fez o tratamento do espiral, a organização dos insumos e, muito importante, usamos materiais a partir do que tinha aqui na escola. Reaproveitamos, fizemos o tratamento do solo com palha e resto de madeira em decomposição. Depois, fizemos a mistura do esterco com a terra e agora vamos falar sobre as mudas que vieram para, logo depois, plantar no espiral”, explica Alexandra Santos Silva, agricultora urbana e técnica em agroecologia convidada para conduzir a atividade.

Mão na terra
O trabalho foi dividido entre os estudantes. Enquanto parte da turma transportava blocos de cimento e reunia galhos e madeiras para estruturar a horta em espiral, outro grupo limpava o terreno e preparava o solo. Paralelamente, os jovens selecionaram, higienizaram e recortaram garrafas PET que serão usadas na estrutura da horta vertical.
A escolha do que construir também partiu das condições encontradas na própria escola. Um espaço onde já havia algumas plantas abriu caminho para recuperar uma estrutura existente e incorporá-la ao EcoEscola.

“Os meninos já tinham o projeto fechado, eles queriam uma parede verde, que vai ser o nosso próximo passo. Mas aproveitamos esse espaço que já estava aqui, com algumas coisas plantadas, e tivemos a ideia de reativar esse espiral de ervas”, conta Alexandra.
A proposta é que as intervenções avancem gradualmente e deixem a escola mais verde. No caso da produção de alimentos, a expectativa apresentada pelos estudantes é que, futuramente, parte do que for cultivado possa também ser aproveitada na própria escola.
Sustentabilidade que permanece
A escolha de ervas medicinais para o espiral levou em consideração também a manutenção da horta. A camada de matéria orgânica utilizada na preparação do solo ajuda a conservar a umidade, enquanto esse tipo de planta tende a exigir menos cuidados contínuos que algumas hortaliças – característica especialmente relevante em períodos de férias escolares.
“É um tipo de horta muito fácil de cuidar, porque as medicinais não demandam tanto cuidado como as hortaliças. Você não vai precisar molhar tanto, porque o tanto de matéria orgânica que a gente colocou ali ajuda a guardar umidade. E as medicinais são mais resistentes. Então, é muito interessante para esses espaços”, explica a agricultora urbana.

Para Alexandra, a participação dos estudantes também se destacou durante a construção.
“Eu fiquei muito impressionada com as crianças, os adolescentes, muito dedicados, muito focados nas ações, na construção. Muito feliz e muito satisfeita com o foco deles.”
Jornada 2026
A construção da horta integra a etapa de experimentação da Jornada Científica 2026. Neste ano, estudantes da Escola Estadual Alisson Pereira Guimarães participam de encontros entre março e setembro orientados pelo ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis.
Ao longo do percurso, os jovens são estimulados a observar problemas urbanos, conhecer diferentes áreas do conhecimento e transformar o aprendizado em propostas construídas coletivamente. A programação já aproximou a turma de ambientes como o Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), a Escola de Arquitetura da UFMG e o CTNano, onde tiveram contato com diferentes dimensões de planejamento urbano, sustentabilidade, ciência e tecnologia.

O EcoEscola nasce desse processo. A ideia é transformar a própria escola em um espaço de experimentação de soluções sustentáveis, conectando o conteúdo discutido durante a Jornada ao cotidiano da comunidade escolar.
Rumo ao EcoParque
O percurso de 2026 terá no EcoParque um de seus momentos de conclusão. Programado para 22 de setembro no BH-TEC, o evento reunirá escolas em atividades de ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade e será também o espaço para os participantes da Jornada apresentarem o projeto EcoEscola desenvolvido ao longo do ano.
Realizado anualmente, o EcoParque transforma espaços do Parque Tecnológico em ambientes de experimentação, com oficinas, demonstrações científicas e trilhas por estruturas de pesquisa e pela área verde do BH-TEC.

O que é a Jornada
Criada em 2023 pelo Centro de Inteligência em Sustentabilidade do BH-TEC, a Jornada Científica aproxima estudantes da rede pública do fazer científico por meio de atividades práticas, visitas técnicas, palestras e experimentos desenvolvidos a partir de um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Mais do que apresentar conteúdos científicos, a proposta é conduzir os jovens por um percurso que começa pela compreensão de problemas reais, avança pela investigação e chega à experimentação e à construção de soluções. Em 2023, a Jornada trabalhou o ODS 6, relacionado à água; em 2024, o ODS 12, sobre consumo e produção responsáveis; e, em 2025, o ODS 13, voltado à ação climática.