Uma das principais universidades de ciência e tecnologia da China encontrou no BH-TEC um modelo para aproximar o conhecimento produzido na academia das demandas do mercado e da sociedade. Quatro professores da Huazhong University of Science and Technology (HUST), de Wuhan, visitaram o Parque nesta segunda-feira (17) e conheceram empresas, projetos e estratégias de inovação desenvolvidos em Belo Horizonte.
Recepcionada pelo presidente Marco Crocco, a comitiva chegou ao BH-TEC por meio da cooperação mantida entre a instituição chinesa e a UFMG. A visita projetou o Parque dentro de uma relação internacional já consolidada e materializou uma das frentes contempladas pelo CERNE 4, nível máximo de certificação alcançado pelo BH-TEC.

“Receber uma delegação da HUST nos coloca em contato direto com a experiência de um país que reúne um dos maiores ecossistemas de parques tecnológicos, incubadoras e aceleradoras do mundo. Essa troca permite compartilhar o modelo construído em Belo Horizonte, conhecer outras formas de transformar ciência em desenvolvimento e fortalecer a atuação internacional do BH-TEC”, afirma Crocco.
Ponte Brasil-China
A UFMG e a HUST mantêm o Centro de Desenvolvimento Econômico Brasil-China, criado para aproximar pesquisadores e ampliar a cooperação entre os dois países. A nova etapa dessa relação prevê um programa de intercâmbio para estudantes de Economia e Relações Econômicas Internacionais.
“Viemos ao BH-TEC apresentar à comitiva como funciona o nosso parque tecnológico. Agora, vamos assinar um acordo para um intercâmbio de summer camp. Os alunos poderão permanecer de 15 a 30 dias na China, e também receberemos estudantes da HUST na UFMG”, explica Mônica Viegas, professora do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade.

Durante a visita, os professores conheceram o papel desempenhado pelo BH-TEC na articulação entre universidade, empresas e tecnologias. A capacidade de transformar conhecimento científico em soluções chamou a atenção da delegação.
“Recebemos muitas informações sobre as inovações maravilhosas que estão sendo criadas aqui e sobre o trabalho de transferir o conhecimento da universidade para a sociedade, servindo como ponte entre empresas, tecnologias e academia. Aprendemos muito com essa experiência e mal podemos esperar para levar esse conhecimento à China e compartilhá-lo”, destaca Jessica Ya Sun, professora da HUST.
Internacionalização na prática
A internacionalização integra as dimensões avaliadas no CERNE 4, certificação máxima criada pelo Sebrae e pela Anprotec destinada a ambientes de inovação com processos maduros, atuação em rede e capacidade de gerar impacto para além de seu território.
No BH-TEC, essa frente passa pela conexão com instituições estrangeiras, pelo intercâmbio de experiências e pela inserção de empresas e projetos científicos em novas redes de cooperação. A visita chinesa leva o modelo desenvolvido pelo Parque para uma relação acadêmica que começa a ganhar novos desdobramentos.
“A troca é fundamental porque permite conhecer a experiência chinesa e, ao mesmo tempo, apresentar como desenvolvemos o BH-TEC e construímos as relações entre universidade e empresas. Esse movimento reforça o caráter internacional do Parque”, ressalta Crocco.

Chancelas de excelência
O CERNE 4 se soma a uma sequência de reconhecimentos obtidos pelo BH-TEC. Eleito o melhor parque tecnológico do Brasil em 2024, o Parque também recebeu, em 2025, o prêmio de melhor aceleradora do país.
Em 2026, o credenciamento federal no Comitê da Área de Tecnologia da Informação (CATI) colocou o BH-TEC na rota de projetos vinculados à Lei de TICs. A chancela reconhece a capacidade do Parque de coordenar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) e amplia as possibilidades de parceria com empresas que precisam investir em tecnologia.
A agenda da delegação chinesa prossegue com a construção do programa de intercâmbio entre UFMG e HUST, que levará estudantes brasileiros à China e receberá alunos da universidade de Wuhan em Belo Horizonte.