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Soberania em IA passa por conhecimento, dados e infraestrutura, aponta debate no BH-TEC

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Dominar conhecimento, ampliar o controle sobre dados e reduzir dependências externas sem transformar soberania em isolamento tecnológico. Esse foi o eixo que atravessou o Sexta no Parque (SXPQ) realizado hoje (18), no auditório do BH-TEC, em uma discussão sobre quanto controle o Brasil precisa ter sobre as tecnologias que sustentam a inteligência artificial.

Com o tema “Soberania em IA: qual controle precisamos ter?”, o encontro reuniu perspectivas do governo, da universidade e das empresas para discutir uma questão que se torna mais complexa à medida que a IA avança: em quais áreas o país precisa construir capacidade própria e em quais dependências internacionais é possível conviver sem comprometer sua autonomia?

Conhecimento também é soberania

Pela perspectiva das empresas, Thales Linke, gerente sênior da IEBT Innovation, chamou atenção para a necessidade de o país se apropriar do conhecimento e do desenvolvimento de software, especialmente diante de dependências que já existem em outras partes da cadeia tecnológica.

“Eu preciso me apropriar do conhecimento, do software, da fronteira de conhecimento que a gente tem, para não ficar dependente desse conhecimento no resto do mundo, já que já somos dependentes em tantas outras coisas, como infraestrutura e hardware”, afirmou.

Para Linke, discutir inteligência artificial generativa sob essa ótica significa também pensar a capacidade das empresas brasileiras de acompanhar a fronteira tecnológica e transformar conhecimento em competência própria.

Thales Linke
Thales Linke abordou o setor empresarial acerca da soberania da ia| Gabriel Guerra/BH-TEC

A IA dentro da universidade

A discussão sobre autonomia ganhou outra dimensão com Patrícia Nascimento Silva, diretora de Educação a Distância e Educação Digital da UFMG e integrante da Comissão Permanente de Inteligência Artificial da Universidade.

Patrícia apresentou a experiência da UFMG na construção de parâmetros para incorporar a inteligência artificial às atividades acadêmicas sem abrir mão de responsabilidade, transparência e supervisão humana.

Patrícia Nascimento
Patrícia Nascimento levou ao sexta no parque o lado acadêmico sobre a soberania da ia | Gabriel Guerra/BH-TEC

“Eu trago o contexto da academia, principalmente pela Comissão de Inteligência Artificial da UFMG, onde lançamos um guia com algumas diretrizes, com algumas definições em relação ao uso da IA na Universidade e que também pode ser expandido para outras oportunidades”, explicou.

Lançado em agosto, o Guia de Inteligência Artificial – Princípios e diretrizes para o uso responsável na UFMG estabelece orientações para ensino, pesquisa, extensão e gestão. Entre seus princípios estão centralidade no humano, transparência, privacidade e proteção de dados, responsabilidade e autoria humana e justiça e não discriminação. O documento também aborda cuidados com sistemas proprietários, informações sensíveis e a dependência tecnológica.

IA cada vez mais brasileira

A visão do poder público foi apresentada por Alexandre Henrique Vieira Soares, analista do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) que atua na Superintendência de Inteligência Artificial da empresa pública.

Ele abordou o papel do Estado e do próprio Serpro na construção de capacidades que permitam ao Brasil reduzir dependências tecnológicas e manter maior controle sobre dados e infraestrutura.

Alexandre Vieira
Alexandre Vieira trouxe a visão governamental acerca da soberania da ia | Gabriel Guerra/BH-TEC

“Eu vim trazer a visão do governo sobre soberania, o que o governo tem feito e como o Serpro tem ajudado nessa questão: trazer os dados, ficar mais independente de tecnologia e infraestrutura, tentar internalizar mais”, afirmou.

Para Alexandre, esse processo também passa pelo desenvolvimento de tecnologias mais conectadas às características e necessidades do país. “É como o Brasil tem tentado construir a sua soberania em IA, deixar a IA brasileira cada vez mais brasileira de fato.”

Dependência também é escolha

As três perspectivas reforçaram uma das provocações propostas pelo SXPQ: soberania tecnológica não exige necessariamente que o Brasil produza sozinho todos os componentes que sustentam a inteligência artificial.

A discussão passa por identificar o que o país não pode deixar de dominar – conhecimento, dados, determinadas capacidades computacionais e competências tecnológicas – e quais relações de dependência podem fazer parte de uma estratégia de inserção nas cadeias globais.

Mais do que perguntar se o Brasil precisa desenvolver tudo, o encontro colocou outra questão: em quais tecnologias, conhecimentos e infraestruturas depender de terceiros pode limitar a capacidade de decisão do país?

Público SXPQ | Gabriel Guerra/BH-TEC

Trilogia chega à reta final

A edição desta sexta-feira deu sequência à trilogia sobre inteligência artificial promovida pelo BH-TEC no Sexta no Parque. O primeiro encontro, realizado em agosto, teve como tema “O que é hype e o que é realidade” e discutiu o que já gera valor com IA, seus limites e impactos em áreas como segurança, reputação, privacidade e tomada de decisão.

Agora, depois do debate sobre soberania tecnológica, a série terá sua terceira e última edição em outubro. A programação e as inscrições gratuitas serão divulgadas em breve. Fique atento aos canais do BH-TEC para garantir sua participação.

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