Gestores hospitalares de Belo Horizonte e de outras regiões de Minas transformaram gargalos da rede pública em desafios de inovação nessa segunda-feira (10), no Hub do BH-TEC. Eficiência operacional, sustentabilidade financeira, qualidade assistencial e captação de recursos estiveram no centro da oficina Inovação para Hospitais – Métricas do Amanhã.
O encontro amplia uma frente estratégica do Parque na área da saúde. A cooperação formalizada com o Hospital das Clínicas da UFMG leva essa agenda a um ambiente de alta complexidade do SUS, enquanto o workshop conecta diferentes instituições em torno de métodos, indicadores e soluções para a gestão hospitalar.
“Minas Gerais reúne mais de 500 hospitais na rede pública, incluindo instituições filantrópicas, e quase metade já investe em algum tipo de inovação. O próximo passo é fazer com que ela seja tratada como um ativo estratégico, capaz de melhorar a eficiência operacional, a sustentabilidade financeira, a assistência e a capacidade de captar recursos”, afirma Cristina Guimarães, diretora de Desenvolvimento Institucional do BH-TEC.
Gestão sob nova lente
A programação combinou uma introdução aos conceitos de inovação, uma dinâmica prática e o refinamento das propostas construídas pelos participantes. O objetivo foi aproximar o tema da rotina hospitalar e mostrar que novos resultados podem começar pela revisão de processos, fluxos e formas de medir o desempenho.
Tecnologias avançadas fazem parte desse movimento, mas não são o único caminho. Redesenhar um atendimento, reduzir etapas, melhorar a circulação de informações ou encontrar uma resposta diferente para um problema recorrente também pode produzir impacto na assistência.

“Oficinas de inovação são importantes para vários serviços, não só para a área da saúde, porque nos colocam em um lugar provocativo, para que a gente pense fora do nosso ambiente de segurança”, destaca Leonardo Torres, gestor da equipe de educação permanente do Hospital Risoleta Tolentino Neves.
Para ele, a inovação também passa por “revisar nossos processos e olhar para a mesma coisa de um jeito diferente”. Essa abordagem permite que as equipes reconheçam oportunidades dentro da própria operação, antes mesmo da incorporação de uma nova tecnologia.
Problemas compartilhados
A presença de gestores com experiências distintas mostrou que muitos dos desafios enfrentados pelos hospitais atravessam instituições e territórios. A troca permite comparar respostas, identificar dificuldades comuns e construir soluções que possam ser adaptadas a diferentes realidades da rede.
“A gente pôde conversar com vários outros gestores hospitalares, não só de Belo Horizonte. Vê que as experiências não são individuais e que esse compartilhamento é importante”, afirma Thamyres Rufato, médica emergencista e gerente do pronto-socorro do Hospital Odilon Behrens.
A oficina também abriu espaço para que os participantes saíssem da discussão conceitual e trabalhassem coletivamente novas possibilidades. “A gente sempre chega com alguma solução criativa que pode ser uma inovação do futuro”, completa Thamyres.

Alcance estadual
Para ampliar o debate na Rede SUS, o BH-TEC mapeou e convidou hospitais com atuação estratégica em diferentes macrorregiões de saúde de Minas Gerais. Instituições das regiões Centro, Centro-Sul, Sudeste e Nordeste estiveram entre as mobilizadas para a iniciativa.
A aproximação busca conectar os desafios vividos dentro dos hospitais à capacidade de articulação do Parque com universidades, empresas, startups, pesquisadores e agências de fomento. Essa rede pode apoiar desde a reorganização de processos até o desenvolvimento e a incorporação de tecnologias em saúde.
Indicadores também ocupam uma posição central. Quando uma instituição consegue medir seus gargalos, resultados e ganhos assistenciais, passa a ter melhores condições de priorizar investimentos, estruturar projetos e apresentar demandas consistentes a possíveis parceiros e financiadores.

Referência em inovação na saúde
A cooperação com o Hospital das Clínicas da UFMG tem como foco a estruturação da gestão da inovação, o aprimoramento de processos internos e a incorporação de tecnologias em um ambiente de alta complexidade do SUS.
Hospitais e instituições públicas de saúde interessados em estruturar programas, indicadores e projetos de inovação podem procurar o BH-TEC. A agenda iniciada no workshop prossegue agora na aproximação com novas instituições e na transformação de desafios hospitalares concretos em frentes de trabalho.