Diretrizes nacionais, oportunidades de financiamento e os caminhos para transformar competência científica em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) estarão no centro do próximo webinar do TemBase!. Promovido pelo BH-TEC, o encontro vai preparar laboratórios e infraestruturas de pesquisa de Minas Gerais para atuar nas cadeias estratégicas da Nova Indústria Brasil (NIB).
A programação parte de uma questão decisiva para quem produz conhecimento: como identificar, dentro das prioridades industriais do país, as demandas que podem ser respondidas pelas pesquisas, equipes e estruturas já existentes nas universidades e Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) mineiras?
“O webinar foi construído para ajudar os laboratórios a enxergar onde suas competências encontram as prioridades da Nova Indústria Brasil. Queremos transformar diretrizes nacionais em oportunidades concretas de atuação, parceria e financiamento”, afirma Luisa Tristão, agente de Inovação do BH-TEC e uma das gestoras do TemBase!.
O encontro será realizado no dia 2 de setembro, às 10h. As inscrições podem ser feitas aqui.
Três caminhos
O webinar será dividido em três frentes. A primeira apresentará uma visão panorâmica sobre as missões da Nova Indústria Brasil e o papel ocupado pelos laboratórios de P&D no processo de neoindustrialização do país.
A proposta é mostrar em quais pontos a infraestrutura e a capacidade técnica das ICTs se tornam estratégicas para as prioridades nacionais. Os participantes também receberão orientações para interpretar as diretrizes da política industrial e direcionar pesquisas, serviços tecnológicos e projetos.
Recursos para inovar
Erick Meira, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vai apresentar linhas de fomento, instrumentos financeiros e modelos de cooperação disponíveis para projetos vinculados às missões da NIB.
A palestra abordará o que agências de fomento e instituições financeiras observam em uma proposta de PD&I, incluindo maturidade tecnológica, impacto e capacidade de articulação. Outro ponto será a construção de projetos capazes de reunir laboratórios e empresas em torno de desafios industriais.
“Não basta conhecer os editais. Os laboratórios precisam compreender como apresentar sua capacidade técnica, estruturar propostas e construir parcerias que façam sentido para o setor produtivo. O encontro pretende tornar esse percurso mais claro e acessível”, explica Luisa.
Competência vira projeto
A terceira frente colocará em evidência uma experiência prática. Martín Ravetti, professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, vai mostrar como um laboratório pode mapear suas competências, identificar demandas no mercado e avançar na construção de um projeto de PD&I.
O relato passará pelos desafios de negociação, pelo alinhamento com Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), pela gestão das entregas e pela adaptação da linguagem científica para o diálogo com empresas.
A proposta é oferecer referências aplicáveis a coordenadores interessados em ampliar a inserção de seus laboratórios no ecossistema de inovação.
Da base ao mercado
Lançado pelo BH-TEC em 2025, o TemBase! nasceu de um amplo levantamento que cruzou as competências científicas de Minas Gerais com as missões da Nova Indústria Brasil. O mapeamento já identificou mais de 160 laboratórios e ouviu mais de 170 pesquisadores de diferentes regiões do estado.
Os dados orientam ações de capacitação, divulgação de oportunidades e conexão com o setor produtivo. Uma delas é o MatchDay, encontro de negócios que coloca pesquisadores diante de empresas interessadas no desenvolvimento de produtos, tecnologias e soluções.
A primeira edição do MatchDay reuniu, em junho, laboratórios, startups, ICTs e empresas dos setores de saúde e energia. As conversas foram organizadas a partir das competências identificadas pelo TemBase! e dos desafios tecnológicos levados pelas organizações participantes.
Entre para a base
O mapeamento permanece aberto a novas infraestruturas de pesquisa. Além da possibilidade de participar de futuras rodadas de conexão com empresas, os laboratórios cadastrados recebem informações sobre editais, eventos, casos de sucesso e oportunidades de colaboração.
“Nosso trabalho não termina no levantamento de dados. O mapeamento permite compreender o que os laboratórios oferecem e, a partir disso, criar capacitações, conexões e oportunidades mais aderentes à realidade de cada infraestrutura”, destaca Luisa.
Coordenadores e representantes de laboratórios mineiros podem participar do mapeamento do TemBase! e integrar a rede articulada pelo BH-TEC.