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Entre potência e responsabilidade: Google e UFMG abrem trilogia de IA no BH-TEC

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Google e UFMG colocaram frente a frente duas dimensões inseparáveis do avanço da inteligência artificial: as ferramentas que já transformam empresas e instituições e os limites necessários para que essa evolução respeite princípios éticos, sociais e ambientais. O debate abriu, nesta sexta-feira (14), a trilogia sobre IA do Sexta no Parque (SXPQ), no BH-TEC.

Luiz Dias, gerente de Desenvolvimento de Parcerias Estratégicas em Educação e Pesquisa para a América Latina do Google, apresentou a trajetória da empresa e aplicações da tecnologia. Leonardo Rocha, professor do Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG, trouxe para o centro da discussão o desenvolvimento de soluções nacionais, a LGPD, a regulamentação e a responsabilidade envolvida no uso da IA.

“A proposta do BH-TEC é aproximar a indústria da academia. As pesquisas desenvolvidas no instituto podem colaborar com problemas enfrentados pelos empreendedores sem perder questões fundamentais, como ética, responsabilidade social, LGPD, sustentabilidade e regulamentação. É possível desenvolver tecnologias avançadas sem atropelar esses compromissos”, afirmou Leonardo.

Tecnologia com critérios

A participação do professor aproximou o público das pesquisas realizadas por um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dedicado ao desenvolvimento da inteligência artificial no Brasil. A intenção foi mostrar como o conhecimento produzido na universidade pode responder a desafios do setor produtivo e gerar soluções tecnicamente viáveis.

O debate também avançou sobre os riscos associados ao uso indiscriminado da tecnologia. Privacidade, desinformação, segurança e falta de transparência estão entre os pontos que exigem atenção de empresas, pesquisadores e gestores públicos.

“A IA tem importância fundamental para a descoberta e o aprofundamento do conhecimento em diversas áreas. A preocupação está na forma como ela é utilizada, e isso precisa ser bastante debatido”, avaliou Helder Matos, analista de Tecnologia da Informação do Hospital das Clínicas da UFMG, que acompanhou o debate.

Para Leonardo, a capacidade de inovar não pode ser dissociada dos efeitos que uma solução produz. “A gente consegue unir esses aspectos e gerar soluções tecnicamente viáveis, capazes de trazer inovação”, reforçou.

Google na conversa

Luiz Dias apresentou como o Google entrou no desenvolvimento da inteligência artificial, as ferramentas oferecidas atualmente e as perspectivas da empresa para os próximos anos. O público também pôde direcionar perguntas sobre aplicações práticas, automação e o uso da tecnologia em diferentes setores.

“Trouxe um pouco da trajetória do Google no Brasil e no mundo dentro do contexto da inteligência artificial, de como estamos nos posicionando e das ferramentas que já podem ser utilizadas. O debate com o professor Leonardo também permitiu discutir perspectivas de futuro”, explicou.

Mineiro, Luiz destacou ainda o retorno a Belo Horizonte para participar do encontro. “É uma felicidade imensa estar aqui, conhecer um pouco mais do Parque e conversar sobre inovação, inteligência artificial e tecnologia.”

A presença conjunta de uma das principais empresas de tecnologia do mundo e de pesquisadores da UFMG evidenciou uma das propostas centrais do SXPQ: aproximar diferentes perspectivas para que o conhecimento possa alcançar problemas concretos.

Saúde e educação

As possibilidades da inteligência artificial na saúde e na educação apareceram entre os principais pontos levantados pelo público. Pesquisadores e profissionais discutiram como a tecnologia pode ampliar a capacidade de análise, acelerar descobertas e oferecer respostas para desafios que permaneciam fora do alcance das ferramentas tradicionais.

“A IA tem sido fundamental para transformar diferentes pontos da sociedade, principalmente na educação e na saúde. Foi importante compreender como esse ecossistema evolui, com a participação de grandes empresas, como o Google, e como os pesquisadores abordam preocupações essenciais nesse processo”, afirmou Frederico Chaves Carvalho, fundador da Intellisync e pós-doutorando no Laboratório de Bioinformática e Sistemas da UFMG.

Pesquisadora do mesmo laboratório, Alessandra Cioletti chamou a atenção para o equilíbrio entre oportunidade e regulação. “A IA pode ajudar a enfrentar problemas que sempre tivemos e não conseguíamos resolver. Ao mesmo tempo, precisamos discutir como regulá-la para evitar impactos negativos, porque seu potencial é muito grande.”

Conexões que permanecem

A diversidade do público ampliou a discussão para além das ferramentas apresentadas. Representantes de empresas, hospitais e grupos de pesquisa encontraram no encontro um espaço para confrontar experiências e avaliar como a inteligência artificial já modifica suas áreas de atuação.

“A IA pode ser parceira das pessoas ao potencializar os talentos que cada uma possui e gerar ainda mais valor. A discussão sobre sustentabilidade e sobre como essa tecnologia vem sendo utilizada no dia a dia foi uma conversa rica, que nos fez pensar no futuro”, destacou Samuel Costa, gerente de Inovação do Grupo Partners.

Samuel também ressaltou o papel recorrente do encontro. “O SXPQ é um evento em que sempre quero marcar presença, pelas conexões e, principalmente, pela relevância dos temas debatidos.”

Trilogia em curso

A edição inaugurou uma sequência de três encontros do SXPQ dedicados à inteligência artificial. A trilogia será realizada entre agosto e outubro para discutir ferramentas, oportunidades, riscos e aplicações capazes de apoiar empresas e instituições.

As próximas edições, previstas para setembro e outubro, darão continuidade à discussão iniciada por Google e UFMG, incorporando novos especialistas e perspectivas sobre a tecnologia.

Promovido pelo BH-TEC, o Sexta no Parque aproxima empreendedores, pesquisadores, gestores e profissionais do ecossistema de inovação. A trilogia amplia esse intercâmbio diante de uma tecnologia que já altera processos, negócios e decisões em diferentes setores.

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