A ciência brasileira produz mais conhecimento do que o mercado consegue absorver. Para encurtar a distância entre os laboratórios e a aplicação em escala, o Fórum Brasileiro de Deep Techs 2026 chega a Belo Horizonte no dia 29 de julho, na UFMG, reunindo pesquisadores, empreendedores, investidores, gestores públicos e lideranças empresariais.
Realizado pela Wylinka, com coidealização da Caos Focado e correalização do BH-TEC, o evento coloca em debate como a ciência produzida no ecossistema mineiro pode se transformar mais rapidamente em inovação, negócios e soluções de impacto. A edição terá como tema “Ciência, dados e crescimento: inovação em alta velocidade”.
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Ciência em movimento
O Fórum é concebido como um espaço de articulação estratégica: onde quem pesquisa encontra quem investe, quem empreende se aproxima de quem regula e o conhecimento científico ganha direção para chegar ao mercado.
Nas edições anteriores, mais de 800 atores do ecossistema se conectaram no palco e nos bastidores do evento. Mais de 80 especialistas compartilharam conhecimento e mais de 60 instituições estiveram representadas. Belo Horizonte será o primeiro capítulo do Fórum em 2026.

“O Fórum chegou a Belo Horizonte porque acreditamos que a inovação científica brasileira se constrói a partir das vocações de cada território. Minas Gerais reúne ciência de excelência, um ecossistema empreendedor maduro e capacidade de gerar soluções de alto impacto”, afirma Ana Calçado, CEO da Wylinka, antes de finalizar:
“O desafio agora é acelerar as conexões entre quem produz conhecimento, quem investe e quem leva essas soluções ao mercado. É justamente para impulsionar essa agenda que estamos aqui”.
Por que Belo Horizonte?
Belo Horizonte construiu, ao longo de décadas, um dos ecossistemas de inovação mais sólidos do Brasil, e os dados confirmam essa posição. O Global Tech Ecosystem Index 2025, da Dealroom.co, posicionou a capital mineira como o quarto ecossistema de tecnologia que mais cresce no mundo e o primeiro da América Latina na categoria Rising Stars.
O levantamento considera indicadores como o crescimento do valor de mercado das empresas, o número de startups em expansão, a criação de unicórnios e a maturidade dos fundos locais de investimento.
Os números do ecossistema sustentam esse reconhecimento. Minas Gerais abriga cerca de 1,4 mil startups e empresas de base tecnológica, responsáveis por mais de 36 mil empregos, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Desses negócios, 42% estão instalados em Belo Horizonte, que ocupa a posição de terceiro maior polo de negócios inovadores do Brasil.

As empresas do ecossistema tecnológico da capital movimentaram aproximadamente R$ 5,2 bilhões em captações nos últimos cinco anos, conforme levantamento do Itaú BBA. O San Pedro Valley, primeira comunidade de startups do país, reúne atualmente mais de 300 empresas.
Mais de 62% das startups do ecossistema mineiro já receberam algum tipo de investimento, enquanto 85% foram fundadas nos últimos dez anos. Trata-se de um ambiente jovem, em movimento e que avançou na integração entre academia e mercado.
Da patente ao mercado
A capacidade científica também se traduz em indicadores expressivos. Em 2025, a UFMG bateu o próprio recorde histórico de depósitos de patentes, com 95 pedidos encaminhados ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A marca superou os 92 registros realizados em 2016.
Minas Gerais figura ainda como o quarto maior polo de pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial do Brasil, com 13 unidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação ativas, segundo estudo publicado em 2025 pelo Observatório de Tecnologias Digitais.
É a partir desse cenário que o Fórum propõe um debate sobre o próximo passo: o que ainda separa a pesquisa de fronteira desenvolvida em Minas Gerais de sua aplicação em larga escala? Como Belo Horizonte pode liderar essa transição? E de que maneira conexões estratégicas podem acelerar esse processo?
O que acontece no Fórum
Aberto ao público a partir das 13h, o evento será estruturado em blocos que combinam visão estratégica, discussão prática e oportunidades de conexão, com uma programação orientada pelas vocações do ecossistema mineiro:
- Keynote de abertura conectada ao tema e ao contexto de Belo Horizonte
- Painéis sobre transferência de tecnologia, ecossistemas deep tech, financiamento da ciência aplicada e políticas públicas para a inovação
- Coquetel e networking estratégico, concebidos para aproximar pesquisadores, empreendedores, investidores, empresas e gestores públicos
Para fazer sua inscrição gratuita no evento, acesse o site oficial do Fórum Brasileiro de Deep Techs, clicando aqui.

Plataforma nacional com raízes regionais
Cada edição do Fórum 2026 será construída a partir das vocações, dos desafios e das oportunidades de seu território. A proposta parte do entendimento de que a inovação científica brasileira não acontece em um único lugar e que diferentes ecossistemas exigem conexões e estratégias próprias.
Em Belo Horizonte, o debate parte de ativos já consolidados, como a ciência de excelência, a produção de dados e uma cultura de empreendedorismo tecnológico, para discutir o que ainda precisa avançar para que esse potencial se converta em soluções capazes de ganhar escala nacional.
O ciclo completo percorrerá Belo Horizonte, Santarém, Porto Alegre, Goiânia e Salvador, com encerramento em um encontro nacional para convidados, em São Paulo.
Cada edição dará origem a um relatório regional com recomendações para políticas públicas e investimentos. Ao final do ciclo, as contribuições serão reunidas em um relatório nacional voltado ao fortalecimento do ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação.

Sobre a Wylinka
A Wylinka é uma organização sem fins lucrativos que atua na articulação do ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação. Seu propósito é transformar conhecimento científico em inovação estratégica, conectando atores, estruturando agendas e orientando decisões que impulsionem a ciência brasileira no cenário global.
Desde 2013, já capacitou mais de 11 mil pessoas e apoiou mais de 1.800 instituições em todo o país, fortalecendo conexões entre universidades, empresas, governos e investidores. A organização é reconhecida pela The Dot Good como uma das 200 instituições de maior impacto social do mundo e uma das 15 de maior destaque no Brasil.
Sobre o BH-TEC
O BH-TEC (Parque Tecnológico de Belo Horizonte) é um ambiente de inovação que conecta a pesquisa desenvolvida nas universidades às demandas da indústria e do mercado. Seu propósito é transformar conhecimento científico em soluções, negócios e desenvolvimento econômico — fazendo com que pesquisas, patentes e tecnologias deixem os laboratórios para gerar impacto na sociedade.
Entre seus sócios-fundadores estão a UFMG, a Prefeitura de Belo Horizonte, o Governo de Minas Gerais, o Sebrae Minas e a FIEMG. Localizado na região da Pampulha, o Parque reúne empresas de base tecnológica, centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), criando um ambiente propício para o empreendedorismo, a transferência de tecnologia e a inovação.