O BH-TEC abriu uma nova frente de diálogo internacional nesta quinta-feira (10) ao receber o embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, acompanhado de estudantes ruandeses de pós-graduação. A visita articulada pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da UFMG colocou em pauta possibilidades de aproximação entre universidades, empresas e ambientes de inovação dos dois países.
A agenda se conecta a uma estratégia que vem ganhando espaço na atuação do Parque: ampliar relações internacionais e transformar o intercâmbio de experiências em pontes para pesquisa, desenvolvimento tecnológico e negócios. Essa capacidade está entre as dimensões avaliadas pelo CERNE 4, nível máximo da metodologia da Anprotec e do Sebrae conquistado pelo programa de aceleração do BH-TEC, que contempla a atuação internacional dos ambientes de inovação.
“O BH-TEC pode ser uma peça central para construirmos conhecimento, know-how e conexões entre nossas indústrias, empresas e negócios. Quando as pessoas conhecerem melhor Ruanda, poderão enxergar oportunidades para construir o futuro de seus negócios também do outro lado do mundo”, afirmou Manzi.

Pontes com Ruanda
A passagem pelo Parque integrou a agenda do embaixador em Belo Horizonte, que também esteve relacionada à chegada e à formação de estudantes ruandeses no Brasil. Para Manzi, a circulação desses jovens pelas universidades brasileiras pode funcionar como ponto de partida para uma relação mais ampla entre os dois países – entre pessoas e instituições acadêmicas e, também, entre empresas e setores produtivos.
Durante a visita, a delegação conheceu a trajetória do BH-TEC e o modelo de articulação construído entre universidade, poder público e iniciativa privada. O embaixador destacou especialmente o potencial de troca entre Minas Gerais e Ruanda e apresentou o país africano como um ambiente que busca ampliar sua atuação em tecnologia e inovação.

“Queremos avançar no conhecimento mútuo entre brasileiros e ruandeses. Há muito que podemos aprender uns com os outros. Conhecer a experiência do BH-TEC também nos permite observar um modelo que pode inspirar o desenvolvimento de parques ligados às nossas universidades”, disse.
Para o presidente do BH-TEC, Marco Aurélio Crocco, a aproximação amplia o horizonte de relações do Parque e permite conhecer ecossistemas ainda pouco conectados ao ambiente brasileiro de inovação.
“É uma experiência muito enriquecedora conhecer melhor os ecossistemas de inovação africanos, com os quais ainda temos poucas conexões, e ao mesmo tempo apresentar o que vem sendo construído no BH-TEC. Esse intercâmbio amplia nosso conhecimento e cria possibilidades de novas relações entre instituições, pesquisadores e empresas”, afirmou Crocco.
Ideias que cruzam fronteiras
A integração entre universidade, governo e empresas também chamou a atenção do doutorando ruandês na UFMG Patrick Nemeyimana. Para ele, conhecer de perto a estrutura do Parque ajuda a transformar o intercâmbio acadêmico em uma experiência que ultrapassa a formação individual.

“É um grande privilégio conhecer a experiência do Parque. Ficamos felizes em ver esse caminho de integração entre governo, setor privado e universidade. Esperamos que as ideias surgidas dessa aproximação possam se transformar em projetos relevantes para Ruanda e para o Brasil”, afirmou.
A perspectiva dialoga com o movimento defendido pelo próprio embaixador: fazer dos estudantes uma primeira conexão entre os dois países, mas não a última. A expectativa apresentada durante o encontro é que o conhecimento acumulado por pesquisadores ruandeses no Brasil possa, no futuro, aproximar também instituições e ambientes empresariais.
Internacionalização em curso
A visita ocorre menos de um mês depois de o BH-TEC receber quatro professores da Huazhong University of Science and Technology (HUST), de Wuhan, uma das principais universidades chinesas de ciência e tecnologia. A comitiva chegou ao Parque em 17 de agosto por meio da cooperação entre a instituição chinesa e a UFMG e conheceu empresas, projetos e estratégias adotadas para aproximar ciência, mercado e sociedade.

As agendas internacionais encontram respaldo em uma trajetória recente de reconhecimento da estrutura de inovação do BH-TEC. Em 2024, o Parque foi eleito o melhor parque tecnológico do Brasil; no ano seguinte, seu programa de aceleração foi reconhecido como o melhor do país. Em 2026, a mesma estrutura recebeu o CERNE 4, grau máximo da certificação desenvolvida pela Anprotec em parceria com o Sebrae.
No nível 4, o modelo avalia justamente a capacidade do ambiente de inovar em seus próprios processos e atuar em escala internacional. Para o BH-TEC, a sequência de visitas deixa de ser apenas uma agenda institucional e passa a funcionar como parte concreta dessa estratégia: colocar empresas, pesquisadores e tecnologias desenvolvidas em Minas Gerais em contato com novos ecossistemas – e trazer novas oportunidades para dentro do Parque.