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Animais peçonhentos, nanotecnologia, biologia e robótica ocuparam tenda do EcoParque

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Ciência para observar de perto, colocar a mão, fazer perguntas e descobrir coisas que não aparecem nos livros. Na tenda do EcoParque 2026, atividades da Fundação Ezequiel Dias (Funed), do CTNano, do Laboratório IdeaReal e do projeto 1000 Futuros Cientistas levaram estudantes a diferentes áreas do conhecimento por meio de experiências práticas e interativas.

A programação fez parte do conjunto de atividades que transformou o BH-TEC em um espaço de experimentação científica durante o EcoParque. Ao circular pelos espaços, os estudantes puderam conhecer animais peçonhentos, visualizar estruturas em escala nanométrica, montar modelos de biologia e interagir com projetos de robótica e programação.

Animais peçonhentos de perto

Na atividade da Funed, a curiosidade começou com aquilo que, normalmente, provoca distância: cobras, aranhas e outros animais peçonhentos. A exposição apresentou exemplares e modelos que ajudaram os estudantes a entender os riscos associados aos animais e também como o conhecimento científico é utilizado para desenvolver respostas a acidentes com venenos.

“A gente tem um trabalho de divulgação científica, em que mostramos esses animais peçonhentos, os riscos que eles apresentam e o trabalho que fazemos na produção de soro antiofídico e de medicamentos, todos baseados nesses venenos”, explica Fábio De Castro, biólogo da Fundação Ezequiel Dias.

Serpentes, aranhas e escorpiões foram exibidos no estande da Funed | Gabriel Guerra/BH-TEC

Para os estudantes, observar os animais também foi uma oportunidade de rever hábitos do cotidiano.

“Eu me interessei muito pela área de insetos. Eu não sabia que essas aranhas tão pequenas, podem ser tão perigosas. Também perguntei como podemos nos prevenir contra esse tipo de ataque de aranhas. Eu não sabia que era tão importante verificar nossos sapatos e nossas roupas”, conta Josué Henrique, estudante da Escola Estadual Professor Nidson Rodrigues.

O mundo em escala nano

Se na Funed a descoberta estava nos animais, no CTNano o desafio era imaginar algo muito menor. O Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da UFMG levou para a tenda modelos de estruturas como grafeno, nanotubos de carbono e fulerenos, além de jogos voltados à divulgação da nanotecnologia.

“Nós trouxemos uma apresentação sobre nanoestruturas de carbono, da qual temos alguns exemplos. Um é o nanotubo, no qual temos algumas aplicações relacionadas à escala nanométrica. Viemos também trazer alguns jogos para interação com as pessoas e com as escolas que estão participando aqui em parceria com a gente”, explica Luiz Felipe, mestrando em Química pela UFMG, que apresentou a atividade com os alunos.

O estande da MinasNano, programa do CTNano, apresentou modelos de nanotecnologia para os alunos | Virgínia Muniz/BH-TEC

Para Davi Marcos, estudante da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães, a atividade chamou atenção justamente pela possibilidade de conhecer uma área que trabalha com estruturas em uma escala difícil de visualizar.

“Gostei muito do trabalho de nanotecnologia. O carbono é muito importante para várias coisas que fazemos hoje em dia. Por exemplo, existem tubos utilizados em diversos trabalhos em uma escala muito pequena, porque estamos falando de nano, algo muito pequenininho. Eu gostei muito da temática!”, conta Davi.

A atividade também recuperou conhecimentos sobre o carbono e mostrou aos estudantes que conceitos presentes nas aulas de Ciências e Química podem estar relacionados a tecnologias desenvolvidas em centros de pesquisa.

Biologia que dá para tocar

No Laboratório IdeaReal, a biologia ganhou outra dimensão: modelos e prototipagens permitiram aos estudantes visualizar e manipular estruturas que, em condições reais, seriam invisíveis a olho nu.

“Eu achei muito interessante a estante de impressora 3D. Eu gostei muito de ver o processo de montagem de um apito e de um chaveiro”, conta Rafaela, estudante da Escola Estadual Professor Nidson Rodrigues.

A estudante também passou pela estante dedicada à biologia e conheceu modelos de células, além de conversar sobre vírus, anticorpos e bactérias.

O estande do Laboratório IdeaReal levou biologia sintética com bichos de pelúcia e impressora 3D | Virgínia Muniz/BH-TEC

“O que me chamou atenção foi a célula. Primeiro me mostraram a célula vegetal, depois me mostraram qual era a diferença entre a célula vegetal e a animal. Também fiquei sabendo sobre a diferença entre um vírus e os anticorpos e como eles agem”.

A experiência mostrou como recursos físicos podem facilitar a compreensão de conceitos que, muitas vezes, são apresentados apenas em imagens ou esquemas. O IdeaReal desenvolve peças educacionais em 3D justamente para aproximar conteúdos de biologia dos estudantes e ampliar as possibilidades de aprendizagem.

Tecnologia para criar, não só usar

A programação do 1000 Futuros Cientistas levou os estudantes para outro universo: robótica e programação. A proposta colocou a tecnologia no centro da experiência e apresentou aos participantes projetos com os quais eles puderam interagir.

A atividade parte de uma ideia simples: aproximar os jovens da ciência e mostrar que eles também podem ocupar o lugar de quem desenvolve tecnologia. Durante o EcoParque, o projeto apresentou atividades interativas de robótica e programação.

O estande do 1000 Futuros Cientistas APRESENTOU UM TURBIDÍMETRO PARA OS ALUNOS | Gabriel Guerra/BH-TEC

“É importante mostrar que a ciência faz parte do cotidiano e que os jovens podem produzir tecnologia, e não ser simplesmente usuários de tecnologia”, explica Everaldo da Silva, integrante do projeto e doutorando da UFMG.

A proposta complementou as demais experiências da tenda ao mostrar outra possibilidade de relação dos estudantes com a ciência: não apenas conhecer tecnologias prontas, mas entender como elas são construídas e experimentar os processos envolvidos em sua criação.

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