Transformar experiências práticas em conhecimento capaz de fortalecer ambientes de inovação de todo o país. Foi esse o resultado alcançado pelo BH-TEC com a aprovação de um artigo científico na 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação, principal encontro brasileiro dedicado ao tema, realizado em Manaus (AM).
Desenvolvido no âmbito do LabMIn (Laboratório de Metodologias de Inovação), o trabalho sistematiza metodologias e ferramentas de gestão aplicadas à transferência de tecnologia, oferecendo referências para que universidades, parques tecnológicos, incubadoras e outros ambientes de inovação aperfeiçoem seus processos de aproximação entre pesquisa e mercado.
“Esse artigo nasceu de uma prática que já desenvolvemos no BH-TEC. O que fizemos foi buscar, na literatura científica, uma validação das metodologias e ferramentas que utilizamos para favorecer a transferência de tecnologia. É uma contribuição importante porque oferece referências para que outros ambientes de inovação possam construir e aperfeiçoar seus próprios processos”, destaca Ana Canhestro, Head de Inovação do BH-TEC e uma das autoras do trabalho, ao lado de Marina Carelli e Mariana Guimarães.
Da prática para a pesquisa
A pesquisa parte de uma realidade vivenciada pelo próprio BH-TEC por meio do LabMIn, rede dedicada ao desenvolvimento de metodologias para inovação e transferência de tecnologia.
Ao analisar a literatura especializada, as autoras identificaram as principais ferramentas de gestão utilizadas nessa área e organizaram esse conhecimento em uma estrutura que pode apoiar instituições interessadas em fortalecer seus processos de transferência de tecnologia.
Segundo Ana, embora o tema seja estratégico para o desenvolvimento da inovação, ainda existem poucos estudos voltados especificamente às metodologias de gestão aplicadas a esse processo.
“Além de sistematizar esse conhecimento, o artigo mostra como essas metodologias podem ser utilizadas na prática. Esperamos que ele sirva de inspiração para que outros ambientes desenvolvam suas próprias estratégias de acompanhamento e gestão da transferência de tecnologia”, afirma.
Reconhecimento nacional
A edição de 2026 da Conferência Anprotec registrou números recordes, com 296 trabalhos submetidos por 229 instituições de todos os estados brasileiros, do Distrito Federal e de quatro países. Após avaliação do Comitê Científico, 161 trabalhos foram selecionados para apresentação oral, pôsteres ou publicação nos anais do evento.
Para o coordenador do Comitê Científico da Conferência, Rodrigo Quites Reis, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), a qualidade das submissões demonstra o fortalecimento da pesquisa aplicada nos ambientes de inovação brasileiros.
“Recebemos trabalhos de todas as regiões do país, com excelente qualidade técnica e forte conexão com os desafios reais dos ecossistemas de inovação. Isso demonstra o crescimento da nossa comunidade e o fortalecimento da pesquisa aplicada e das experiências desenvolvidas nos parques tecnológicos, incubadoras, aceleradoras, universidades, empresas e instituições parceiras.”
Conhecimento para fortalecer a inovação
A aprovação do artigo também reforça uma das frentes de atuação do LabMIn: produzir conhecimento científico a partir das experiências desenvolvidas em projetos de inovação.
“Ficamos muito felizes com essa aprovação, especialmente diante da qualidade dos trabalhos submetidos. Esse reconhecimento materializa o papel do LabMIn não apenas no desenvolvimento de metodologias para inovação, mas também na produção de conhecimento em gestão da inovação”, conclui Ana.
Uma trajetória de reconhecimento nacional
A aprovação do artigo soma-se a uma sequência de reconhecimentos conquistados pelo BH-TEC nos últimos anos. Em 2024, o Parque foi eleito o melhor parque tecnológico do Brasil. No ano seguinte, seu programa de aceleração recebeu o prêmio de melhor aceleradora do país.
Já em 2026, a startup Sem Frascos, desenvolvida no ecossistema do BH-TEC, conquistou o segundo lugar no Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador da Anprotec, na categoria Negócios de Impacto.
Os resultados refletem uma atuação que combina desenvolvimento de metodologias, fortalecimento do empreendedorismo de base tecnológica e produção de conhecimento aplicado à inovação, consolidando o BH-TEC como uma das principais referências nacionais em ambientes de inovação.