As empresas capazes de transformar conhecimento científico em tecnologias de alto impacto podem definir o futuro da indústria brasileira.
A partir dessa premissa, o BH-TEC reuniu representantes do governo federal, da indústria, de agências de fomento e do ecossistema de inovação para discutir um dos temas mais estratégicos da atualidade: o papel das deep techs no desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
O painel realizado hoje (17) no palco Praça Sete colocou em voga um dos temas mais estratégicos para o futuro da inovação nacional: a capacidade de transformar conhecimento científico em empresas de base tecnológica capazes de gerar impacto econômico e social.
“Deep techs são empresas que dependem de um conteúdo científico e tecnológico muito sofisticado e, por isso, possuem uma trajetória de desenvolvimento bastante particular”, destacou Marco Crocco, presidente do BH-TEC.
Ciência, indústria e políticas públicas
O debate reuniu representantes de algumas das principais instituições ligadas à inovação, ao desenvolvimento industrial e ao fomento tecnológico no país:
- Luis Felipe Giesteira, secretário-adjunto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
- Paula Bucchianeri de Nadai, gerente do Escritório de Projetos e Iniciativas da CNI
- Rafael Ansaloni Fortes, gerente do Departamento de Gestão de Produtos e Inovação Corporativa da Finep
- Hudson Miranda, cofundador e diretor-executivo da FabNS, empresa residente do BH-TEC
“Conseguimos reunir, em um mesmo debate, quem formula políticas públicas, quem financia a inovação, quem representa a indústria e quem está efetivamente construindo uma deep tech de sucesso. Esse é um passo fundamental para transformar conhecimento científico em empresas capazes de revolucionar o país”, afirmou Crocco.
Representando o governo federal, Giesteira apresentou a Nova Indústria Brasil, política industrial atualmente em curso no país, e destacou o papel estratégico das empresas de base tecnológica.
“Essas empresas que buscam a inovação tecnológica cada vez mais próxima da fronteira do conhecimento cumprem um papel muito relevante. Esse é um ponto decisivo para que o Brasil possa avançar industrialmente e oferecer melhores condições de vida para a população por meio de empregos de qualidade”, afirmou.
Conexões que aceleram inovação
Ao abordar a atuação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paula Bucchianeri ressaltou a importância das conexões entre diferentes atores do ecossistema.
“Falamos sobre deep techs e como as conexões são importantes. Mostramos um pouco do programa desenvolvido pela CNI em parceria com o Sebrae, que busca justamente conectar os desafios das empresas ao desenvolvimento de soluções para a indústria”, destacou.
A discussão também abordou os mecanismos necessários para que tecnologias desenvolvidas em laboratórios consigam avançar até o mercado.
Para Rafael Ansaloni Fortes, da Finep, o Brasil vive um momento favorável para ampliar o apoio a startups e empresas de base científica.
“Falamos sobre o contexto de ciência, tecnologia e inovação no Brasil e sobre o momento atual de recomposição do FNDCT, da Nova Indústria Brasil e de um cenário positivo para fomentar o apoio às startups, às deep techs e a todo o ecossistema de inovação do país”, afirmou.
Da pesquisa ao mercado
Representando o olhar de quem enfrenta diariamente os desafios de transformar ciência em negócio, Hudson Miranda compartilhou a experiência da FabNS, deep tech especializada em nanoscopia e desenvolvimento de nanoscópios.
“Foi uma troca muito interessante com diversos atores do ecossistema, como Finep, CNI e MDIC, para discutir os mecanismos necessários para fomentar o desenvolvimento de empresas como a FabNS. Foi uma discussão muito rica para pensar como aceleramos esse processo no futuro”, afirmou.
Segundo Crocco, esse é justamente um dos principais desafios do ecossistema brasileiro de inovação.
“O Brasil produz conhecimento científico de excelência. O desafio agora é transformar esse conhecimento em deep techs e, posteriormente, em grandes empresas capazes de gerar riqueza, competitividade e desenvolvimento para o país”, concluiu.
BH-TEC no Minas Summit
Correalizador do Minas Summit pelo segundo ano consecutivo, o BH-TEC participa do evento com estande próprio e uma programação voltada ao fortalecimento da inovação baseada em ciência.
Além de reunir alguns dos principais atores nacionais ligados ao desenvolvimento tecnológico, o painel reforçou uma das missões centrais do Parque: aproximar universidade, empresas, investidores e formuladores de políticas públicas para transformar conhecimento em impacto real para a sociedade.