Quem controla os dados, os modelos e a infraestrutura também controla parte relevante das possibilidades abertas pela inteligência artificial. O Sexta no Parque (SXPQ) reúne especialistas no auditório do BH-TEC, na próxima sexta-feira (18), para discutir até onde o Brasil precisa ter controle sobre as tecnologias que sustentam a inteligência artificial.
Com o tema “Soberania em IA: qual controle precisamos ter?”, o encontro vai colocar em debate as dependências tecnológicas do país e os caminhos possíveis para ampliar sua autonomia sem recorrer à ideia de isolamento. A programação será realizada das 9h às 12h, com café entre 9h30 e 10h.
A discussão parte de questões que já afetam universidades, empresas, governos e cidadãos. Onde os dados brasileiros são armazenados e processados? Quem controla a infraestrutura computacional usada para desenvolver e operar sistemas de IA?
O país precisa construir seus próprios grandes modelos ou pode conquistar autonomia adaptando tecnologias abertas às particularidades do português, da legislação, da ciência e da sociedade brasileiras?
O que precisa ser nosso?
A proposta do SXPQ é deslocar o debate sobre soberania da ideia de produzir toda a cadeia tecnológica dentro das fronteiras nacionais. O ponto central é identificar quais dependências são aceitáveis e quais podem comprometer a capacidade de decisão do país, especialmente em áreas como dados, computação em nuvem, modelos, cibersegurança, propriedade intelectual e formação de talentos.

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública de inteligência em governo digital e tecnologia da informação, será representado por Alexandre Henrique Vieira Soares, analista que atua na Superintendência de Inteligência Artificial da instituição.
A participação acrescenta ao debate a perspectiva da infraestrutura tecnológica estratégica do Estado e das capacidades que o Brasil precisa desenvolver ou preservar para ampliar sua autonomia em inteligência artificial.
Também participa do encontro Thales Linke, gerente sênior da IEBT Innovation, onde lidera iniciativas e estratégias voltadas a dados e inteligência artificial para o mercado corporativo.
Sua participação amplia a discussão para os desafios enfrentados pelas empresas na adoção dessas tecnologias e na transformação de conhecimento e capacidade tecnológica em soluções, negócios e geração de valor.
Universidade diante da IA
Uma das convidadas é Patrícia Nascimento Silva, diretora de Educação a Distância e Educação Digital da UFMG, professora da Escola de Ciência da Informação e integrante da Comissão Permanente de Inteligência Artificial da Universidade. Ela levará ao SXPQ a experiência recente da UFMG na construção de parâmetros institucionais para o uso da tecnologia.
Em agosto, a Comissão lançou o Guia de Inteligência Artificial – Princípios e diretrizes para o uso responsável na UFMG, documento voltado às atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão. O texto se estrutura em cinco princípios: centralidade no humano, transparência, privacidade e proteção de dados, responsabilidade e autoria humana e justiça e não discriminação.

O guia deixa claro que a incorporação da IA não pode significar transferência automática de decisões e responsabilidades para as máquinas. Entre as recomendações estão a declaração transparente do uso dessas ferramentas, a proteção de dados pessoais, sensíveis e estratégicos e a manutenção da supervisão humana sobre os resultados produzidos.
O documento também chama atenção para riscos relacionados a plágio, direitos autorais, vieses, desinformação e perda de autonomia de estudantes e pesquisadores.
Dependência também é escolha
A relação entre essas diretrizes e a soberania tecnológica aparece de forma especialmente direta quando o documento aborda sistemas proprietários. Para atividades de gestão, por exemplo, o guia sugere evitar modelos cujas características técnicas não sejam transparentes em situações críticas e recomenda, em muitos contextos, modelos abertos, treinados com dados curados e adaptados às finalidades específicas de uso.
A própria UFMG identifica ainda desafios estruturais de longo prazo. Entre as recomendações do documento está a criação de um Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial capaz de reunir projetos e grupos de diferentes áreas do conhecimento, além da incorporação de conteúdos sobre as transformações provocadas pela IA e seu uso crítico e responsável na formação universitária.
No Sexta no Parque, essa experiência será ponto de partida para uma questão mais ampla: se o Brasil já dispõe de pesquisadores, universidades e produção científica em inteligência artificial, o que ainda falta para transformar esse conhecimento em infraestrutura, tecnologias, empresas e serviços capazes de gerar valor e permanecer, em parte relevante, sob controle nacional?
Sexta no Parque – Soberania em IA: qual controle precisamos ter?
Data: sexta-feira, 18 de setembro;
Horário: 9h às 12h;
Café: 9h30 às 10h;
Local: auditório do BH-TEC;
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