Uma proposta construída por estudantes de uma escola pública de Belo Horizonte ao longo de meses de investigação, visitas técnicas e experimentação deixou os muros da escola e chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) com uma ambição concreta: contribuir para que práticas de sustentabilidade desenvolvidas no ambiente escolar possam ganhar escala e alcançar a rede estadual.
Estela Alves, da Escola Estadual Alisson Pereira Guimarães, representou os colegas em uma reunião com a presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Casa, deputada estadual Beatriz Cerqueira.
O encontro é um desdobramento direto da Jornada Científica 2026, iniciativa do BH-TEC que aproxima estudantes da rede pública do fazer científico a partir de problemas reais. Neste ano, o programa é orientado pelo ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis.
Em encontros semanais desde março, os jovens passaram por ambientes onde a cidade é pesquisada, planejada e gerida, como o Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), a Escola de Arquitetura da UFMG e o CTNano. Agora, chegaram a um espaço onde propostas podem se transformar em decisões públicas.

“Chegar à Assembleia é um passo importante no exercício da cidadania. A proposta nasceu de demandas reais, foi construída coletivamente pela comunidade escolar e agora entra em um espaço de participação democrática, com a possibilidade de contribuir para uma política que alcance outras escolas de Minas”, afirma Bernadete Bittencourt, gestora da Jornada 2026, antes de concluir:
“Para o BH-TEC, é justamente esse o papel da Jornada: aproximar o ensino básico do fazer científico e também das decisões que moldam a nossa sociedade”.
Da ciência à proposta
O caminho até a ALMG começou dentro da própria escola. A partir das discussões sobre cidades sustentáveis, os estudantes desenvolveram o projeto Eco Escola, que propõe transformar o ambiente escolar em um laboratório vivo de sustentabilidade.
Entre as soluções trabalhadas estão parede verde, horta urbana, bicicletário e gestão de resíduos, conectando o espaço frequentado diariamente pelos jovens aos princípios do ODS 11.
A proposta dialoga também com uma experiência já existente em Belo Horizonte. Implantado em 2016, o Programa EcoEscola BH atua na educação socioambiental da rede municipal, incentivando iniciativas como hortas, arborização, compostagem e coleta seletiva.

O movimento dos estudantes da Jornada é levar essa discussão para além de uma experiência localizada e buscar caminhos para que ações semelhantes possam alcançar escolas estaduais.
“A gente veio hoje à Assembleia representando os alunos da Escola Alisson Pereira para ampliar o nosso projeto Eco Escola, que é da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, para o estado, para as escolas estaduais, e concretizá-lo com os alunos do ensino médio. O nosso projeto é esse: tentar levar para outras escolas do estado essa Eco Escola, essa sustentabilidade na cidade que a gente desenvolveu na Jornada Científica do BH-TEC”, explica Estela Alves.
“Acabamos de ter uma reunião de gabinete com a deputada Beatriz Cerqueira, que acatou o nosso projeto, vai dar visibilidade ao projeto e fazer com que outras escolas, outras comunidades escolares façam parte dele junto à sustentabilidade, preservando o meio ambiente e pensando sempre no futuro do planeta”, afirma Luciana Azeredo, professora de Biologia e Sustentabilidade da Escola.
Da proposta à Assembleia
A chegada dos estudantes ao Legislativo ocorre em um momento em que a própria ALMG já discute uma iniciativa relacionada ao tema. O Projeto de Lei 4.783/2025 cria o Selo Escola Verde para instituições de educação básica do sistema estadual de ensino que adotarem ações de arborização e sustentabilidade ambiental. Em julho, a matéria recebeu parecer favorável da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, presidida por Beatriz Cerqueira, e seguiu sua tramitação na Casa.
É justamente nesse processo que a experiência construída durante a Jornada poderá ganhar uma nova dimensão. Beatriz Cerqueira anunciou a realização de uma audiência pública em novembro para conhecer o projeto e reunir contribuições para a discussão legislativa.

“Primeiro, quero parabenizar a Escola Estadual Alisson Pereira, assim como o BH-TEC, por esse importantíssimo projeto. Fico muito feliz porque conseguimos nos somar a essa iniciativa por meio da Comissão de Educação, onde realizaremos uma audiência pública para conhecer o projeto e também nessa escuta, em que todo mundo vai trazer as contribuições para o projeto de lei que está em tramitação aqui na Assembleia sobre Selo Verde nas nossas escolas estaduais”, afirma.
“Então, aguardem: a audiência será em novembro, para que a gente possa ter essa importante contribuição e também homenagear o BH-TEC e a escola por essa importante iniciativa.”
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia é responsável por analisar projetos e debater políticas relacionadas à educação básica e ao desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação. Beatriz Cerqueira ocupa atualmente a presidência do colegiado.
Cidadania em prática
A reunião na ALMG também encerra a etapa de experimentação da Jornada Científica de 2026. Criado em 2023 pelo Centro de Inteligência em Sustentabilidade do BH-TEC, o programa foi estruturado para que estudantes da educação básica não apenas tenham contato com laboratórios e pesquisadores, mas percorram um processo que começa pela compreensão de um problema, avança pela investigação e chega à construção coletiva de uma proposta.
Nesta edição, esse percurso foi além. Depois de observar a cidade, conhecer centros de pesquisa, discutir sustentabilidade e testar possibilidades dentro da própria escola, os estudantes levaram o resultado do trabalho a quem participa da formulação das políticas estaduais.