Entender como uma cidade pode ser mais sustentável também passa por observar seus prédios, ruas, espaços públicos, formas de ocupação e modos de convivência. Foi com esse olhar que estudantes da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães participaram de uma visita técnica à Escola de Arquitetura da UFMG, em Belo Horizonte, como parte da programação da Jornada Científica 2026.
A atividade aproximou os alunos de projetos, laboratórios e experiências acadêmicas que conectam arquitetura, urbanismo, sustentabilidade e vida urbana. A proposta foi mostrar, na prática, como soluções pensadas para as cidades dependem de planejamento, análise ambiental, políticas públicas e compreensão dos territórios.
A visita dá continuidade ao percurso desenvolvido ao longo da Jornada Científica, que neste ano tem como eixo o ODS 11 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável), voltado a cidades e comunidades sustentáveis. Durante o programa, os estudantes vêm sendo provocados a observar Belo Horizonte, identificar problemas urbanos e pensar em soluções para tornar a cidade mais sustentável, inclusiva e preparada para o futuro.
Em uma das etapas anteriores, os alunos desenvolveram um mapa da capital mineira com pontos positivos e negativos da cidade, refletindo sobre desafios que poderiam ser enfrentados a partir de ciência, inovação e sustentabilidade. Na Escola de Arquitetura, eles puderam visualizar como parte dessas ideias pode se transformar em projetos concretos.
Arquitetura, território e sustentabilidade
Durante a visita, os estudantes conheceram espaços como a Biblioteca Raffaello Berti e o Salão Aleijadinho, além de projetos e laboratórios da Escola de Arquitetura da UFMG.
Um dos destaques foi o projeto Natureza Política em Jogo, que propõe discutir a produção do espaço urbano, os conflitos territoriais, a luta por moradia, as políticas públicas e as questões ambientais de forma acessível e lúdica.

(Laura mota/BH-TEc)
A iniciativa trabalha com jogos educativos usados em oficinas e atividades pedagógicas, aproximando temas complexos do cotidiano de estudantes e comunidades. Entre os materiais desenvolvidos estão jogos sobre moradia, fronteiras, plantio e invenção de cidades, disponíveis para download e impressão.
A experiência permitiu aos alunos perceber que pensar uma cidade sustentável envolve mais do que preservar o meio ambiente. Também significa discutir como os territórios são ocupados, quem tem direito à moradia, como os espaços públicos são planejados e de que forma as decisões urbanas afetam a vida das pessoas.
Um novo olhar para a arquitetura
A visita também despertou nos estudantes um novo olhar sobre a relação entre arquitetura, história, cidade e sustentabilidade.
Para Emylly Paé, a experiência chamou atenção pela riqueza dos detalhes presentes nas construções e pela conexão com elementos históricos da arquitetura brasileira.
“Eu achei muito incrível a parte em que vimos a capela e a relação com igrejas que fazem parte do barroco e da história do Brasil. Também achei muito interessante como eles conseguem ser detalhistas na construção, mostrando onde fica cada elemento e como tudo é pensado com cuidado”, contou a estudante.

Já para Alexsandra Luisa, a visita à Escola de Arquitetura ajudou a conectar os conteúdos da Jornada Científica com questões sociais e ambientais discutidas ao longo do projeto.
“Eu gostei muito de ter vindo à Escola de Arquitetura, porque misturou muito com as informações que a gente precisa levar para o nosso projeto. Também achei muito interessante o quanto eles se preocupam com o social e com o ambiental”, afirmou.
O ambiente construído e a vida nas cidades
Os estudantes também visitaram o LabCon (Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência em Edificações), espaço dedicado a estudos sobre desempenho térmico, iluminação, energia e conforto nos ambientes construídos.
No laboratório, eles tiveram contato com equipamentos utilizados para analisar como prédios e espaços urbanos se comportam diante da luz solar, da temperatura e da ventilação. Um dos exemplos apresentados foi o heliodon, equipamento que simula a incidência do sol sobre edificações e auxilia arquitetos e urbanistas a planejarem melhor a disposição de prédios, ambientes e aberturas.
A visita também abordou a importância da circulação dos ventos e da temperatura no planejamento urbano. A concentração de edifícios em determinadas regiões, por exemplo, pode interferir na ventilação, aumentar a sensação de calor e afetar tanto o equilíbrio ambiental quanto a qualidade de vida da população.
Da ideia ao projeto
A programação incluiu ainda uma visita ao Laboratório de Experimentação Tridimensional, espaço em que projetos arquitetônicos são desenvolvidos em modelos físicos e em escala. No local, os alunos puderam observar como ideias concebidas em sala de aula ou em pesquisas acadêmicas podem ser materializadas em formas, estruturas e propostas urbanas.
A atividade reforçou a proposta da Jornada Científica de aproximar os estudantes de experiências práticas e mostrar que ciência e inovação não estão distantes da realidade. Elas podem ser usadas para compreender problemas concretos e construir soluções para a cidade.
A visita contou com a participação das professoras Paula Barros e Rejane Lobo, da Escola de Arquitetura da UFMG.

Jornada Científica
A Jornada Científica é um programa estruturado para aproximar estudantes da rede pública do universo da ciência aplicada, com foco em problemas reais e soluções concretas.
Na edição de 2026, os alunos da Escola Estadual Professor Alisson Pereira Guimarães aprofundam a discussão sobre o ODS 11, explorando caminhos para tornar as cidades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas. A jornada combina conhecimento científico, pensamento crítico, observação do território e desenvolvimento de projetos.
Criada em 2023 pelo Centro de Inteligência em Sustentabilidade do BH-TEC, a iniciativa vem ampliando seu alcance a cada edição.
No primeiro ano, o tema foi a água, relacionado ao ODS 6, com alunos do Instituto Casa Viva de Educação e Cultura.
Em 2024, a discussão avançou para o consumo e produção responsáveis, a partir do ODS 12, com estudantes da Escola Municipal Monsenhor Artur de Oliveira.
Já em 2025, o foco esteve na ação climática, com base no ODS 13, com alunos da Escola Municipal Professor Hilton Rocha.