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(R)evolução na carreira

Por 25 de junho de 2018 Nenhum Comentário

Como progredir profissionalmente quando você está perdido? A convite da residente Treinus, recebemos a visita da Mariana Lobato, profissional de marketing e fundadora do Ateliê de Carreiras, empresa que oferece mentoria para profissionais.

Em uma conversa aberta e sincera, Mariana contou algumas experiências que passou e as lições que aprendeu. Sem estabelecer certo nem errado, a proposta é despertar reflexões em quem passa por situações parecidas.
Trazemos aqui um resumo do que ela apresentou.

Esquema do modelo Golden Circle

E aí, seu propósito de vida já está definido?

Quando a palestrante fez essa pergunta no auditório, apenas um dos participantes respondeu que sim. Ter um propósito universal e definitivo para guiar todas as ações é comprovadamente algo raro. Mariana propõe o exercício de deixar o propósito de lado e pensar no porquê, como aconselha Simon Sinek em um TED que, segundo ela, deve ser um dos mais assistidos do universo.
O modelo apresentado pelo especialista, batizado como Golden Circle, convida profissionais e marcas a colocar o “por que” à frente do “como” e do “o que”. A gigante Apple é um exemplo: a motivação principal da empresa é desafiar o status quo – esse é o “por que”. O “como”? Através do design. E o “o que”, a materialização desses ideais é, por acaso, a tecnologia para computadores, smartphones e gadgets.

Pensar em por que você está no mercado construindo uma carreira pode ser mais fácil que definir precisamente o que fazer para o resto da vida e como fazer isso. Além do mais, as atividades podem mudar drasticamente: o mercado muda, postos de trabalho desaparecem, os problemas a resolver são substituídos por outros. Mas um engenheiro pode virar chefe de cozinha e seguir trabalhando guiado pelo mesmo “por que”.

O porquê pessoal de Mariana é a crença de que nós somos a soma das experiências que vivemos. Como UX da Uber, como gestora de marcas internacionais da Séculus ou como estagiária na Localiza ela percebeu que trabalha porque acredita em construir e acumular experiências relevantes para ela e para as outras pessoas. Ela se guia pela empatia, pela compreensão do problema do outro. Determinar um propósito pode ser difícil, mas entender por que você faz o que faz pode ser mais simples. Um porquê não é um ponto final: é um rumo a seguir.

O mito da carreira linear

O primeiro resultado do Google para “ascensão de carreira”

O que essa imagem diz sobre a carreira? Que ela é regular, solitária, protagonizada por homens de terno. Mas você já experimentou colocar a sua carreira em um gráfico? Mariana fez isso (literalmente) e percebeu que sua carreira não se parece nada com uma escada. Nos eixos tempo x satisfação, o desenho traçado tem altos e baixos.

Ela aprendeu que a carreira não é linear e nem todo movimento é ascendente. Às vezes, é necessário fazer um movimento para baixo: ganhar um salário menor, trabalhar em uma área menos interessante. Às vezes, o movimento é para o lado. E às vezes, não envolve trocar de empresa ou de cargo: pode ser uma mudança na sua posição atual. O importante, pelo que ela percebeu, é que movimentar-se é melhor que ficar parado.

Darth Vader não nasce Darth Vader: torna-se

Todo mundo passa por desafios. É comum que as pessoas se cobrem de forma exagerada, acreditando que já deveriam ter nascido prontas. Entender que o aprendizado vem com a experiência é importante, a preparação é o trabalho de uma vida. Mas a pergunta é: o que você está fazendo para se preparar? O que você fez para se capacitar e se atualizar nos últimos seis meses?
O porquê é, de novo, um guia. A profissional orienta a buscar algo que te faça crescer na sua motivação. Não precisa ser uma pós-graduação: pode ser um curso de inglês ou um projeto novo na empresa que você já trabalha. O importante é entender que ninguém vai, eventualmente, acordar preparado para assumir um desafio novo.

Revoluções podem ser pequenas

Revolucionar a carreira não precisa significar uma transformação drástica como ir trabalhar em outro país ou fazer uma nova faculdade. Mudanças podem ser pequenas. É como na imagem do exemplo: o artista colocou um novo olhar sobre o ambiente.

A lição é: o ambiente não nos limita. Nosso emprego ou nossa cidade são alicerces das situações, mas não são tudo. Nós podemos imaginar o que fazer desse ambiente. Uma empresa é um espaço que oferece algumas oportunidades, mas há outras que virão a partir da forma como você completa o ambiente.
Na experiência da Mariana, esse aprendizado veio por exemplo do trabalho na Seculus, em que ela acabou criando um cargo novo pela forma como conduzia seus projetos. Ela encoraja as pessoas a não se limitar às tarefas que aparecem em sua mesa. Proponha!

Um tom só seu

Esse tom polêmico entre o verde e o azul é a cor preferida da Mariana. Ele é resultado da mistura entre uma certa proporção de azul, amarelo e branco. Quem tem um cargo em uma empresa tem um “job description”: atendimento ao cliente, desenvolvimento de plataformas. Mas cada profissional é muito mais que isso, resultado de uma mistura única de interesses e experiências, profissionais ou não.

Mariana exemplifica com a sua própria história: ela é uma profissional de Marketing que estudou Relações Públicas e nunca soube mexer no Photoshop. Em vez disso, focou na habilidade de entendimento do negócio. Essa é a sua combinação, que funciona perfeitamente para alguns lugares e para outros, não. Mas é aí que ela se acha. Para ela, erra a empresa que espera que cada funcionário de um mesmo time vá fazer exatamente a mesma coisa, e erra o profissional que acha que o certo é trabalhar exatamente como o colega ao lado.

Carreira, experiência, interesses e paixões fazem de cada um uma mistura única. É isso o que torna possível construir coisas novas em um ambiente que já existe.

Misture suas cores e dê o seu tom.

A tela é branca. Pinte a vontade. Não tem certo e errado.

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Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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