Empreendedorismo

Sandálias da humildade, pessoal

Por 12 de Abril de 2018 2 Comments

Às vezes, fico assustada com tantas promessas que vejo por aí: startups se acham a última bolacha do pacote e superestimam suas chances de sucesso no mercado; agências dizem que fazem inbound marketing e prometem ao cliente resultados de vendas fabulosos; empreendedores acreditam que são o novo Mark Zuckerberg e negligenciam os pequenos, repetitivos, chatos e necessários passos do dia a dia, esperando um milagre e o momento mágico em que se tornarão milionários.

O que a gente percebe nos eventos e nas reuniões é um monte de discursos bonitos, empreendedorismo de palco mesmo. Promessas que não vão se concretizar. Na prática, muitas startups morrem no caminho, a maioria, inclusive*; as agências não fazem milagres, por responsabilidade delas e do cliente, e poucas realmente sabem fazer inbound marketing; e os empreendedores precisam patinar muito até alcançarem algum nível de maturidade e sucesso, o que tem a ver com o aprendizado de que, quanto mais sabemos, nada sabemos. Sandálias da humildade, pessoal.

Há muito tempo, procuro, no primeiro contato com o cliente, deixar que ele me conte os desafios do seu negócio. Os problemas mesmo. Então, enquanto agência, buscamos a seguinte reflexão: como podemos ajudar esse negócio a crescer e será que podemos? Na maior parte das vezes, nosso trabalho contribui para que a empresa melhore seu posicionamento frente ao mercado, o que tem impacto na reputação e nos processos de vendas. Mas, se o cliente não compartilha o projeto conosco e não se envolve com as nossas estratégias, dificilmente conseguimos bons resultados. A frustração é recíproca no final.

Então, seja para apresentar um projeto de comunicação e marketing, ou mesmo para tocar o nosso próprio negócio enquanto agência que também precisa de números positivos e pessoas de talento comprometidas, temos que ser mais realistas, até mesmo para ser mais efetivo na correção dos erros. Não existe uma fórmula mágica: os processos de marketing não podem ser simplesmente replicados de cliente em cliente; da mesma forma, nenhum negócio vai ser bem-sucedido porque o do vizinho foi, e se ele é capaz também sou.

Sabe aquele clichê corporativo de que juntos somos mais fortes? Ele tem sentido! E isso significa ouvir, considerar, mudar de opinião, de rota e agir pensando num bem maior, no interesse coletivo e nas relações ganha-ganha.

 

* Fonte: de acordo com pesquisa da aceleradora Startup Farm, no Brasil, 74% das startups fecham após 5 anos e 18% delas antes mesmo de completar dois anos. Os principais motivos? Brigas entre sócios e desalinhamento entre a proposta de valor e o interesse de mercado.

* As opiniões apresentadas pelos colunistas nos artigos são de responsabilidade dos mesmos e não necessariamente refletem o posicionamento institucional do BH-TEC.

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Autor Flavia Fonseca

Empreendedora, doutoranda e mestre em Ciência da Informação (UFMG). É especialista em Gestão de Negócios (FDC), em Comunicação e Gestão Empresarial (PUC Minas) e graduada em Comunicação Social/Jornalismo (PUC.Minas). Fundadora da Tinno, agência de marketing de conteúdo para empresas de tecnologia e inovação, acredita no empreendedorismo como alavanca de desenvolvimento social.

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