Inovação e Universidade

Como a Ecovec foi uma das primeiras empresas a pagar royalties à UFMG

Por 19 de Abril de 2018 Nenhum Comentário

A Ecovec foi pioneira no licenciamento de tecnologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Criada em 2002, segue sendo a única empresa no mundo a disponibilizar soluções para o monitoramento do Aedes aegypti em larga escala – são mais de 150 municípios atendidos. Hoje, é responsável por 60% do total de royalties pagos à UFMG por empresas fundadas por professores da universidade*.

Conversamos com Luís Barroso, sócio-diretor da empresa, e com o professor Álvaro Eiras, sócio-fundador e professor do Departamento de Parasitologia do ICB (Instituto de Ciências Biológicas) da UFMG e pesquisador responsável pelo desenvolvimento da tecnologia que deu origem à Ecovec. Conheça um pouco mais dessa história.

O monitoramento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti hoje é realizado seguindo uma metodologia desenvolvida para o surto de malária nos anos 1920. É evidente que há espaço para aprimoramento, e é isso que a pesquisa que deu origem à Ecovec propôs. A partir do desenvolvimento de um feromônio capaz de atrair a fêmea do mosquito para uma armadilha, vistoriada periodicamente, as secretarias de saúde teriam acesso a um monitoramento muito mais rápido e eficiente, entregando dados de incidência do vírus mais precisos que o método tradicional, que coleta larvas em criadouros do mosquito para pesquisa. O trabalho foi reconhecido e premiado, e a história, contada em dezenas de reportagens especiais como esta do Financial Times.

Empreender foi a saída óbvia para transformar a tecnologia em produto, já que o mercado para esse tipo de solução ainda não existia. A iniciativa foi do professor Álvaro Eiras, estimulado pelo CTIT (Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG) e associado a profissionais do Instituto Inovação, que somaram a experiência necessária para iniciar um empreendimento.

Tecnicamente, a Ecovec é uma spin-off: É como uma startup, que se coloca no mercado de forma rápida, mas já com processos e produtos desenvolvidos. Em 2005, o primeiro contrato foi fechado, com a Prefeitura de Congonhas (MG), após a aprovação da lei conhecida como Lei da Inovação, em 2004, que viabiliza aspectos importantes de parcerias estratégicas entre universidades, institutos tecnológicos e empresas.

Hoje, a Ecovec detém duas patentes em co-autoria com a UFMG, referentes ao sistema de monitoramento (M.I. Aedes) e à tecnologia da armadilha, a Mosquitrap. Os royalties não são contabilizados por armadilha vendida, e sim sobre km² monitorado, remunerando a universidade em 2% do valor dos contratos. Já a patente da tecnologia de análise dos vetores, protocolada em 2010, inclui também a Fapemig – responsável por parte dos recursos aportados – como titular. Neste caso, a empresa remunera as duas instituições. Em todos os acordos, a Ecovec detém o direito de exploração comercial exclusiva.

O valor pago, até o momento, em royalties à UFMG é de aproximadamente R$ 310 mil. Já à Fapemig, a foram pagos cerca de R$ 14 mil.

Até estar pronto para atender o mercado, o sistema precisou de alguns refinamentos, que foram desde alterações estéticas e de design para facilitar o transporte a correções que aumentaram a eficiência. A experiência de uso mostrou outras oportunidades de melhoria ao longo do tempo.

Estamos dispostos a melhorar sempre, criando diagnósticos mais rápidos. Não descartamos financiamento de pesquisa para gerar novas patentes.”

Luís BarrosoSócio-Diretor da Ecovec

Luís conta que algumas dessas alterações foram passíveis de serem registradas como atualização da patente, outras tiveram que ficar de fora. A solução da Ecovec inclui softwares e hardwares, que requerem atualizações rápidas de forma pouco burocrática. São mudanças com o objetivo de alinhar o sistema ao que vem sendo usado no mercado, como a troca dos equipamentos Palmtop (usados pelos Agentes de Combate a Endemias para registrar dados coletados nas visitas às armadilhas) por aplicativos compatíveis com o sistema Android.

Em outros casos, como o aprimoramento do sintético usado para atrair a fêmea do mosquito para a armadilha, a patente foi atualizada. De modo geral, quando a pesquisa de melhoria dos processos internos tem um caráter mais disruptivo, os laboratórios da UFMG liderados pelo professor Álvaro costumam estar envolvidos. Em outros, mais pontuais, a Ecovec utiliza apenas recurso próprio.

Transpor as barreiras da universidade não é um fluxo de mão única. Para o professor Álvaro Eiras, o resultado é sentido também na forma de um aumento da produção científica nos laboratórios da universidade, valendo-se do conhecimento gerado a partir da experiência das soluções colocadas em ação e dos recursos humanos disponíveis. Se a tecnologia que deu origem à empresa otimizava o monitoramento do vetor, hoje a Ecovec estuda soluções para o controle do mosquito.

*Informação cedida pelo professor Álvaro Eiras.

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Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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