Empreendedorismo

Self na comunicação corporativa: por que as empresas não enxergam o cliente?

Por 1 de Março de 2018 4 Comments

Egocentrismo é um mal que acomete boa parte dos seres humanos – e das empresas. Não raras as vezes, nos deparamos com uma comunicação institucional totalmente equivocada e voltada para si: as empresas são sempre as melhores, seus produtos são revolucionários e seus profissionais os mais competentes do mercado. Em alguns sites ou documentos, o cliente sequer é mencionado, prevalecendo aquela visão míope voltada ao próprio umbigo: o self corporativo.

No nosso trabalho de produção de conteúdo para ações de inbound marketing, mais propriamente para o marketing de conteúdo, priorizamos o entendimento das necessidades e desejos do cliente como drivers para a comunicação. Interessa-nos entender quais são os problemas desse cliente e como a empresa pode saná-los, gerando ganhos de qualidade, processos e custos. Nosso objetivo é oferecer a informação como serviço: materiais que são úteis para quem os lê, não necessariamente focando produtos ou empresas. Esses vão a reboque.

Quando partimos da perspectiva do cliente, ou seja, quando adotamos na comunicação corporativa uma visão antropológica – se colocar no lugar do outro –, temos muito mais chances de sucesso. Quer um exemplo simples? Aquele seu banco bilionário, que te cobra tarifas absurdas, vive te enviando mensagens para que você deixe de receber extratos em papel em casa, ficando apenas com os documentos digitais. A princípio, você pode se perguntar: por que eu vou abrir mão deste conforto, por que este banco quer economizar com o meu extrato via Correios?

Quando este mesmo banco lembra que, ao deixar de receber papel, você está colaborando para um mundo mais sustentável, você repensa. Isso, sim, te afeta. Então, migramos nosso extrato para o mundo digital e geramos uma pequena e significativa economia para aquele banco rico. Fazemos exatamente o que a empresa deseja, mas movidos por um objetivo maior: deixamos de piorar o mundo com o desperdício de papel.

As empresas precisam entender que o inbound marketing, ou o marketing de atração, só é efetivo quando os clientes caminham na direção das empresas por livre e espontânea vontade – ou por uma ação bem pensada que vai ao encontro dos valores daquele consumidor. E isso está bem distante do olhar para dentro das empresas e seus atributos. Não à toa existem milhares de patentes engavetadas: soluções realmente maravilhosas, mas que não têm mercado, público. O cliente é a razão de ser de qualquer negócio e, do ponto de vista da comunicação, é ele quem dita a melhor abordagem.

Então, você vai continuar fazendo self na comunicação da sua empresa ou olhar ao redor?

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* As opiniões apresentadas pelos colunistas nos artigos são de responsabilidade dos mesmos e não necessariamente refletem o posicionamento institucional do BH-TEC.

Autor Flavia Fonseca

Empreendedora, doutoranda e mestre em Ciência da Informação (UFMG). É especialista em Gestão de Negócios (FDC), em Comunicação e Gestão Empresarial (PUC Minas) e graduada em Comunicação Social/Jornalismo (PUC.Minas). Fundadora da Tinno, agência de marketing de conteúdo para empresas de tecnologia e inovação, acredita no empreendedorismo como alavanca de desenvolvimento social.

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Entre na conversa 4 Comments

  • Nairo Alméri disse:

    Prezada Flávia, boa tarde! Claro. Reflexivo. Convite disruptivo (como gosta o time da inteligência artificial) na gestão (!) do endomarketing! Parabéns! Abs. Nairo

    • Flávia Fonseca disse:

      Nairo, muito obrigada por sua participação aqui no blog do BH-TEC. Como profissionais de Comunicação, temos um longo caminho… Espero revê-lo por aqui. Abraço!

  • Gilson Elesbão de Siqueira disse:

    Muito oportuno. E isso ocorre nas entidades de classe. Ficam só divulgando o que realizaram, seus sucessos nisto ou naquilo, mas gastam pouco espaço em suas publicações em divulgar algo de seus associados,; os que pagam a conta, com suas mensalidades e de fato a razão de ser da existência delas.

    • Flávia Fonseca disse:

      Gilson, muito obrigada pelo seu comentário. Vejo isso também: entidades esquecem de falar sobre os benefícios para os associados. Espero ter contribuído! Abraço.

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