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Tecnologias portadoras de futuro: o que aconteceu no Tec.Con 2017

Por 14 de dezembro de 2017 Nenhum Comentário

Esta semana, aconteceu a edição de 2017 do Tec.Con – conferência de tecnologia realizada pelo BH-TEC – com o tema Tecnologias Portadoras de Futuro – Oportunidades e Desafios.

Participaram do evento o professor Flávio da Fonseca, do CTVacinas; o professor Marcos Pimenta, do CTNano e o professor Nívio Ziviani, da Kunumi. O evento foi mediado pelo professor Evaldo Vilela, presidente da FAPEMIG.

A ideia foi reunir cientistas empreendedores para falar sobre tecnologias de ponta, aquelas com potencial de mudar a forma como vivemos, trabalhamos e nos conectamos. Foram abordadas as suas possibilidades e desafios, e o que já tem sido feito com e em função dessas tecnologias, a exemplo dos empreendimentos por eles coordenados. Confira o nosso resumo do que aconteceu no evento.

A nanotecnologia – CTNano e CTVacinas

Nanotecnologia é solução atrás de problema. Visto que todos os processos físico-químicos do mundo acontecem em escala molecular, intervir na matéria neste nível significa um novo leque imenso de possibilidades. Falamos sobre isso neste artigo do nosso blog.

Envolvidos nessa jornada, o CTNano e o CTVacinas são prova das múltiplas possibilidades dessa ferramenta.

O CTNano é especializado em nanomateriais de carbono. Esse insumo abre espaço para inovação nas indústrias mais tradicionais e é também um dos caminhos para a nova era da eletrônica. O material é tão estrategicamente importante que o Brasil tem restrições para a importação. Por isso, dominar o processo de produção é um fator muito importante.

O grande salto tecnológico é que os nanomateriais de carbono possuem propriedades mecânicas, térmicas e de condutibilidade fora do comum. Ao serem incorporados a outros materiais, são capazes de torná-los mais eficientes e resistentes a um custo relativamente baixo.

O cimento tradicional (ou Cimento Portland), por exemplo, não teve saltos tecnológicos desde sua invenção, há quase 200 anos. Acrescida de 0,1% de nanotubos de carbono, a fórmula tem um ganho de qualidade de 50% com custo-benefício viável. Em outra frente, o CTNano trabalha na produção de plástico ultra resistente para tubulações e peças destinadas a extração de petróleo da camada pré-sal, em parceria com a Petrobrás.

Estamos vivendo na era do silício, material do qual são feitos a maioria dos chips, sensores, coletores solares. Em algum momento, as limitações do material vão se tornar um obstáculo para os avanços na eletrônica e na tecnologia da informação. Os nanomateriais de carbono são uma alternativa para viabilizar avanços mais rápidos. No CTNano, estão sendo desenvolvidos materiais para estes fins, como displays transparentes e sensores de gás, por exemplo.

Mas, como dissemos, as potencialidades da nanotecnologia são transdisciplinares. O CTVacinas também tem usado essa ferramenta para desenvolver soluções para a saúde, focados em prevenção e diagnóstico.

Dentre as doenças foco do centro de pesquisa está a dengue. Além de alternativas mais tradicionais, usando outros vírus capazes de codificar uma proteína semelhante ao vírus que causa a dengue, o CTVacinas também tem buscado soluções com nanomateriais de carbono.

Associado a proteínas recombinantes do vírus da dengue, o material funciona como um veículo com propriedades diferentes das vacinas clássicas. Um dos motivos é que ele penetra ativamente nas células, não dependendo de processos de fagocitose. Assim, a vacina é capaz de entregar 80% de proteção contra a doença.

Há, porém, polêmicas relacionadas à toxicidade do material em contato com o organismo humano. O CTVacinas desenvolveu, então, uma experiência com um material mais inócuo – o ouro, que já é usado na medicina chinesa há cinco mil anos. Cumprindo a mesma função dos nanomateriais de carbono, os nanobastões de ouro prolongam a vida da proteína responsável pela prevenção da doença no organismo, o que se desdobra em uma menor necessidade de dosagens.

Com atuação que vai além do trabalho com nanomateriais, o CTVacinas representa bem o potencial de Belo Horizonte na biotecnologia. O Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG é um dos mais ativos do Brasil, campeão em depósito de patentes na universidade. A dificuldade está em transformar esse conhecimento em produto no mercado. Essa é uma das missões do centros de tecnologia instalados no BH-TEC – saiba mais sobre este trabalho aqui.

Um dos cases de maior sucesso é a vacina para leishmaniose visceral canina que nasceu de uma pesquisa da UFMG e hoje é lider de mercado no Brasil. Escrevemos o empenho da empresa na luta contra a leishmaniose recentemente no nosso blog.

Aprendizagem de máquina – Kunumi

A inteligência artificial tem um potencial enorme para transformar a sociedade. Sem nenhuma modéstia, este é o objetivo da Kunumi, um dos muitos empreendimentos encabeçados pelo professor Nívio Ziviani. Agnóstica a segmentos, a empresa atua estabelecendo uma ponte entre empresas e a aprendizagem de máquina.

Ziviani é experiente em desenvolver alternativas para a transferência de conhecimento da universidade para a indústria – o case da venda de uma de suas primeiras empresas para o Google é famoso. A Kunumi, por exemplo, possui um arranjo institucional diferenciado que inclui a UFMG como sócia (entenda melhor neste post no nosso blog).

Em síntese, a aprendizagem de máquinas consiste em dar a computadores a capacidade de aprender uma função sem serem explicitamente programados. Inspiradas no cérebro dos seres vivos, as chamadas redes neurais artificiais transformam informações em vetores (números entre 0 e 1). Essa tecnologia pode ser aplicada a diversas áreas: análise preditiva, reconhecimento de imagem, desenvolvimento de produtos, etc.

O que mais impressiona é que este não é um cenário futurístico. Ziviani cita exemplos que mostram o quanto a aprendizagem de máquina já é uma realidade: os caminhões autônomos da parceria entre a Uber e a OTTO; o diagnóstico por meio de raio X de pesquisadores da Stanford; a análise preditiva do resultado de julgamentos do CaseCruncher Alpha. Um relatório da Ernst & Young aponta que ⅓ dos postos de trabalho que existem hoje estarão extintos até 2025.

Por aqui, a Kunumi constrói suas próprias experiências de sucesso.

Em parceria com o Hospital Sírio Libanês, uma equipe da empresa que trabalha diretamente no Hospital desenvolveu uma ferramenta que melhorou em 25% a acuracidade da previsão de óbitos na UTI. A partir do processamento de dados históricos da instituição, e considerando um grande número de variáveis, a tecnologia é capaz de traçar o provável caminho do paciente antes mesmo que ele dê entrada na unidade.

Acompanhando uma visualização em gráficos, o médico pode intervir no tratamento de hora em hora em vez de esperar que uma fatalidade aconteça para, então, agir. Aflorando situações que nem sempre são visíveis, essa inteligência permite que a abordagem das instituições esteja mais direcionada para a gestão da saúde ao invés da gestão da doença.

Outro exemplo, em uma área completamente diferente, foi a produção da faixa “Neural”, uma canção póstuma do rapper Sabotage em parceria com o Spotify (confira este vídeo que explica o processo). A partir de letras e manuscritos do artista, a inteligência criada pela Kunumi foi capaz de criar uma nova letra, seguindo o padrão Sabotage, com a supervisão dos rappers do RZO e de sua família.

Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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