Empreendedorismo

É possível ter uma equipe produtiva trabalhando em home office: case Enacom

Por 11 de dezembro de 2017 Nenhum Comentário

A Enacom é uma empresa especializada no desenvolvimento de sistemas de alto valor agregado para a indústria que já nasceu como home office. Quando foi fundada, em 2009, funcionava em um pequeno espaço ao lado da casa de um dos sócios, Douglas Vieira. Com sede no BH-TEC desde 2012, o negócio conta hoje com uma equipe de 25 pessoas – o auge foram 42 contratados.

Apostando nas vantagens do trabalho remoto, a Enacom permite que os funcionários determinem local e horário para cumprir suas tarefas. O home office (integral ou parcial) é a escolha da maioria. Tanto que o espaço físico da empresa comporta apenas 20 profissionais, provando o quanto essa cultura foi incorporada.

Atualmente, a empresa está passando por uma transformação dessa estrutura, com o desenvolvimento de um software próprio para a gestão de horas. Conversamos com Lucas Ferreira, engenheiro de software da empresa, sobre como tem sido essa experiência até aqui e quais os principais impactos dessa estratégia.


O home office sempre foi uma alternativa para a Enacom. Operando em estrutura física reduzida nos primeiros anos, a empresa incentivava o trabalho remoto como forma de oferecer comodidade. Os estagiários que estudavam na UFMG, por exemplo, poderiam trabalhar direto do laboratório da universidade, que além de ter uma infraestrutura superior, reduz deslocamentos.

Mesmo crescendo, a empresa decidiu manter essa política. Hoje, a maior parte dos profissionais opta por uma rotina mista: a maior parte da semana em trabalho remoto e comparecendo à sede uma ou duas vezes na semana, especialmente quando têm que participar de reuniões presenciais.

Há, claro, as exceções. Existem profissionais que preferem trabalhar diariamente na sede da empresa – o fundador Douglas Vieira é um exemplo. Há também aqueles que preferem o trabalho 100% remoto. É o caso de um dos designers, que está na empresa há cinco anos e há três trabalha exclusivamente de casa. Residindo em uma cidade da região metropolitana, essa política foi o que viabilizou a permanência dele na empresa após se formar.

Para a Enacom esta é uma forte vantagem da política: a retenção de talentos. Os benefícios do trabalho remoto são vistas como diferencial pela equipe a ponto de os profissionais recusarem propostas mais interessantes financeiramente para continuarem na empresa.

A liberdade para dedicar-se à graduação ou fazer um mestrado ou doutorado também vai de encontro ao tipo de profissional desejado, com perfil acadêmico superior. Para o Lucas, por exemplo, essa flexibilidade de horários permitiu que ele fizesse um mestrado sem precisar parar de trabalhar. Assim, a empresa garante uma equipe de alta qualidade.

Por outro lado, a estrutura de trabalho remoto pede mais atenção no momento da contratação. O motivo pelo qual muitas pessoas acreditam que o trabalho remoto não funciona para a maioria das empresas é que essa estrutura demanda uma mudança de mentalidade. Nem todo mundo pode trabalhar com home office, seja por limitações de infraestrutura, como conexão de internet rápida e ambiente adequado, seja por questões ligadas à personalidade.

A Enacom tem a preocupação de contratar apenas quem se encaixa nesse perfil. Uma vez que o home office é uma possibilidade, deve ser viável para toda a equipe, sem gerar desigualdade. Para isso, além de dispor de estrutura para trabalhar remotamente, é necessário que o candidato tenha um perfil equilibrado: comprometimento e capacidade de se automotivar são importantes para que o profissional evite as distrações da rotina longe do olhar do chefe, ao mesmo tempo que a habilidade em separar bem o trabalho do descanso evita situações extremas de stress.

Uma vez dentro do perfil desejado, é provável que o profissional seja mais produtivo trabalhando remotamente. Para o Lucas, por exemplo, cada hora trabalhada em casa costuma ser de 20% a 30% mais produtiva que o mesmo período dentro do escritório.

Desgastes relacionados aos deslocamentos e a preocupação com horários são eliminados, e há mais tempo para refeições de qualidade e intervalos de descanso. Fica mais fácil seguir o planejamento do dia sem as interrupções típicas do trabalho em conjunto, como um coworker que pede ajuda ou uma demanda inesperada surge, o que colabora para manter a concentração focada por mais tempo.


Colocando na prática: as dicas da Enacom para quem quer implementar uma experiência de trabalho remoto

Tarefas bem desenhadas

Um ponto importante para que o trabalho remoto dê certo é a elaboração de um planejamento simples e eficiente, especialmente se os horários também forem livres. Tendo em vista que nem todos os funcionários estarão trabalhando ao mesmo tempo, as tarefas precisam ser assíncronas. A distribuição deve ser mais cuidadosamente ponderada para que o fluxo funcione. Esse cuidado também ajuda a manter os propósitos da empresa mais claros. E o gerente responsável pela equipe precisa ter habilidade para trabalhar nessa estrutura.

A escolha da ferramenta

Nos últimos meses, a Enacom tem estudado mais sobre trabalho remoto para desenvolver um software próprio para a gestão de horas. Isso porque a plataforma que usavam antes era muito burocrática para o processo da empresa. Para o Lucas, esse é outro ponto-chave: encontrar a ferramenta adequada. Isso vale para a gestão de horas, para a gestão de projetos, para a comunicação da equipe por texto e por vídeo.

Reduza a ansiedade

É importante deixar claro para o funcionário que ele não precisa provar que está trabalhando o tempo inteiro. Do contrário, gera-se uma ansiedade que suprime os benefícios do home office. Novamente, planejamento bem feito e ferramentas adequadas são aliados importantes.

Frente a prazos impossíveis de cumprir, o funcionário tende a trabalhar as metas de uma forma estressante, preocupado em mostrar a todo tempo que está se esforçando, com receio de ser mal interpretado. É necessário que a empresa tenha um processo bem claro para que isso não aconteça, e que o profissional entenda quais objetivos e metas precisa alcançar.

No caso de horários livres, evitar que o funcionário se sinta ansioso para responder mensagens corporativas imediatamente passa pela escolha da ferramenta de comunicação ideal. Ele deve saber que tem a liberdade de responder quando possível e, por isso, adotar uma plataforma exclusiva – evitando usar o whatsapp, por exemplo – é uma alternativa a ser avaliada.

Cuidado extra com a cultura da empresa

Times remotos se encontram menos. Assim, é mais difícil gerar um senso de equipe e criar laços de amizade que também são importantes para a produtividade e para a qualidade de vida no trabalho. Por isso, o cuidado com a cultura da empresa deve ser redobrado. Promover eventos e brincadeiras que todos possam participar são opções. A Enacom, por exemplo, desenvolve projetos solidários que ajudam a reunir a equipe presencialmente em torno de um objetivo em comum.

Para quem quer saber mais

No mundo, há grandes empresas com equipes formadas em grande maioria por funcionários remotos: Trello, Zoom e Slack são exemplos. Nesses casos, existe também uma forte tendência de internacionalização dos funcionários, que inclui as barreiras de fuso horário e o objetivo de formar times multiculturais, com habilidades complementares. Vale a pena buscar cases dessas companhias.

Segue abaixo uma lista de artigos indicados pelo Lucas para quem quer aprender mais:

Radicalizando a Flexibilidade do Trabalho: aspectos de gestão, reflexões e resultados (da Anprotec com co-autoria de Douglas Vieira, da Enacom)

• How to embrace remote work (do Trello, em inglês)

Why remote work can’t be stopped (do The Wall Street Journal, em inglês)

• How remote work is changing and what it means for your future (da Forbes, em inglês)

• Is IBM’s rethinking of its remote work policy a bellwether? (da Wharton, em inglês)

• 12 companies that let you work remotely (do Glassdor, em inglês)

• 25 big-name companies that let you work from home (do Huffington Post, em inglês)

• Work from home in 2017: the top 100 companies offering remote jobs (da Forbes, em inglês)

• How to design the ideal home office (da Entrepeneur, em inglês)

• Design a home office you’ll actually work in (da Forbes, em inglês)

Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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