Ambientes de inovação

O que falta para o Brasil fazer “girar” a tríplice hélice?

Por 8 de novembro de 2017 Nenhum Comentário

2,5% da produção científica mundial é brasileira. Ainda assim, o Brasil segue retrocedendo nos índices mundiais de inovação e competitividade. Este ano, o país ficou na 69ª posição do ranking de países mais inovadores divulgado anualmente pela parceria entre a Universidade Cornell, nos Estados Unidos, a escola de negócios Insead e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Em 2011, chegamos a ocupar a 47ª colocação.

Já no índice de economias mais competitivas, divulgado pelo International Institute for Management Development (IMD), com sede na Suíça, e pela Fundação Dom Cabral (FDC), o Brasil foi classificado em antepenúltimo lugar em 2017. No relatório deste ano, o país aparece em 61º lugar, tendo chegado a 38º em 2010.
Diante dessa situação, como identificar e sanar os principais entraves para o desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação no Brasil?
Quais são os fatores determinantes para um desenvolvimento acelerado da inovação?

A aproximação entre a academia e o empreendedorismo é um ponto fundamental nessa discussão. É seguro afirmar que a sinergia entre empresas, universidades e governo – a chamada Tríplice Hélice – é um dos mais importantes fatores para acelerar a inovação.

O exemplo clássico do que aconteceu no Vale do Silício é prova suficiente. A partir de uma iniciativa isolada, estudantes, professores e empreendedores se uniram em um interesse comum e a convivência em conjunto gerou um terreno fértil para o desenvolvimento tecnológico acelerado. A Califórnia deixou de ser um estado majoritariamente agrícola e, hoje, é uma potência econômica maior que o Brasil inteiro.

Inovação é produto no mercado, mas o conhecimento é a matéria prima. A universidade é um alicerce central para a inovação porque é onde esse talento e conhecimento são gerados. Por isso, deve ser ativa na relação com o governo e com as empresas, agindo diretamente e promovendo a transformação social através da CT&I.

Parte do problema é cultural. Há ainda certa resistência na relação entre universidades e setor privado. Esse é o imaginário de uma universidade que não existe mais. Mesmo as escolas mais tradicionais, como Cambridge e Oxford, contam com parques tecnológicos atuantes e forte ligação com empresas há pelo menos meio século.

A universidade se transforma, e agora é o momento de as instituições brasileiras incorporarem uma terceira missão: além do ensino e da pesquisa, a universidade deve ser promotora de inovação. E isso pede uma modernização da gestão e da estrutura do ambiente acadêmico. Parques tecnológicos não trabalham sozinhos: a universidade precisa ter liderança e visão de futuro.

Iniciativa existe, falta incentivo.
Há, hoje, mais de 2000 parques tecnológicos espalhados pelo mundo inteiro. Só no Brasil são 94, dos quais cerca de 30 estão em operação e o restante em fase de projeto ou implantação. Em Belo Horizonte, o BH-TEC abriga 21 negócios inovadores.

Assim como outros parques, o BH-TEC enfrenta desafios relacionados à captação de recursos. O Parque ainda depende de editais de financiamento para custear as atividades e expandir a estrutura, que hoje está 100% ocupada. Além disso, os projetos esbarram nas dificuldades culturais em estabelecer relações entre universidade e setor privado e na burocracia envolvida nos processos de propriedade intelectual.

O futuro é feito via CT&I, mas o Brasil não sabe disso
É visível que a ciência, tecnologia e inovação acontecem no Brasil, mas ainda de forma lenta e escassa. A CT&I soluciona problemas – inclusive os socioeconômicos – que não poderiam ser solucionado antes. Mas, na realidade, é como se o país não desejasse construir o futuro por este meio.

A ciência nunca foi uma invenção da sociedade. Desde os regimes monárquicos, a inovação é financiada pelas grandes fortunas. Por isso, aproximar o tema da sociedade é uma tarefa hercúlea. No entanto, esse entendimento é fundamental para que a CT&I obtenha apoio e continue avançando. É preciso promover uma mudança de cultura, e a ciência tem o papel de se fazer entender ativamente.
Da mesma forma, são os ambientes de inovação, como os parques tecnológicos: empreender é solucionar um problema, e isso significa aproximar a inovação da sociedade de uma forma direta.

Este artigo é um recorte do que foi discutido no painel “Como integrar parques tecnológicos ao contexto de vivência das universidades?”, realizado no dia 02/11, durante a FINIT. O debate teve a coordenação de Adriana Ferreira de Faria (NTG/UFV – Coordenadora do Painel); e participação do Evaldo Ferreira Vilela (Presidente da Fapemig); Jorge Luis Nicolas Audy (Presidente da Anprotec); Mario Neto Borges (Presidente do CNPq); Ronaldo Pena (Diretor Presidente do BH-TEC) e Vanderli Fava de Oliveira (Presidente da ABENGE).

Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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