Inovação e Universidade

A universidade inspira a vocação profissional de uma cidade

Por 10 de novembro de 2017 Nenhum Comentário
Foto: Foca Lisboa

Uma universidade é um empreendimento de longuíssimo prazo. Não se constrói uma instituição de ensino e pesquisa de alto nível em uma cidade a partir do nada. A Universidade é um processo que envolve gerações.

Professores vão se diferenciando, atraindo bons alunos para a carreira do ensino e da pesquisa. Programas de pós graduação vão sendo criados, a pesquisa avança, aqueles alunos atraídos por uma carreira na Universidade fazem a pós graduação local ou em outros centros e retornam. O processo vai se repetindo e, assim, gerações vão se sucedendo.

A pesquisa exige pessoas que tenham a paixão pelo que não se sabe, pelo que ainda é desconhecido. Naturalmente, professores inspiradores criam fértil ambiente de trabalho com seus alunos, alguns desses sempre sonham tornarem-se futuros professores. Dessa forma, uma universidade cresce na medida em que professores vão sendo academicamente ultrapassados por seus ex-alunos. Em qualquer departamento, de qualquer universidade do mundo, é possível identificar aqueles profissionais líderes que indicaram os caminhos, não só puramente acadêmicos, mas também da organização e da diversificação de interesses e de áreas de conhecimento a serem abrangidas.

Uma universidade cresce quando tem como norte a missão de ser sempre melhor do que já é. Por isso, deve estar sempre “em obras”, sempre construindo algo além do que já alcançou, seja na pesquisa, seja no ensino, seja na extensão.

A UFMG, criada em 1927, é a segunda mais antiga do País.  Hoje, referência nas áreas de biotecnologia, tecnologia da informação, engenharias e em áreas de ciências humanas e sociais, a pesquisa na UFMG nasceu, de forma mais organizada, na Faculdade de Medicina. Essa faculdade junto com a Escola de Engenharia e as Faculdades de Direito e de Farmácia e Odontologia, essas voltadas quase que exclusivamente para a formação de profissionais foram agrupadas para constituir a então UMG, federalizada em 1946, mas recebendo o nome UFMG só na década de 1960.

Atualmente, com a globalização, as empresas se tornam cada vez mais presentes em diferentes países. O Brasil, por seu mercado consumidor imenso, atrai o interesse de muitas empresas. Além disso a formação de pessoal de nível superior atinge níveis internacionais em várias universidades brasileiras e as empresas modernas só se instalam em cidades com universidades de qualidade que, além de gerarem conhecimentos pela pesquisa, formam continuamente pessoas prontas para um mercado de trabalho cada vez mais sofisticado. Belo Horizonte é uma cidade privilegiada em termos de atração desse tipo de empresa. Isso explica a presença de escritórios de engenharia de gigantes como Google, Accenture, Embraer, etc. Todas essas com a maioria de profissionais de suas equipes formados em BH.

O mesmo ocorre em Campinas e São José dos Campos, por exemplo, onde a presença de UNICAMP e ITA, respectivamente, está claramente associada ao desenvolvimento de dois grandes aglomerados de empresas de tecnologia.

Dessa forma, as cidades muito devem às universidades que abrigam em seus territórios.  Instituições de ensino e pesquisa fortes, além de atrair empresas, atraem continuamente a seus quadros professores e estudantes diferenciados. Assim forma-se o ecossistema que vai se realimentando positivamente ao longo do tempo. Pessoas desse ecossistema normalmente exigem boas habitações, segurança, bons meios de locomoção, boas escolas para seus filhos, bons hospitais e demais serviços médicos. Exigem, enfim, estruturas adequadas, providas tanto pelo poder público quanto por empresas e prestadores de serviços privados. Isso é que se pode chamar de progresso baseado no desenvolvimento econômico sustentável de uma cidade ou região, objetivo final dos administradores públicos sérios e éticos, que merecem a função que exercem.

Autor Ronaldo Pena

Engenheiro Eletricista pela UFMG, mestre em Engenharia Biomédica pela UFRJ e PhD em Engenharia Elétrica pela Universidade do Texas em Austin. Professor Titular de Automação e Controle do Departamento de Engenharia Eletrônica. Foi Diretor da Escola de Engenharia da UFMG, Pró Reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFMG, Reitor da UFMG, e atualmente é o Diretor-Presidente do BH-TEC.

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