Empreendedorismo

WayCarbon e os dilemas da mudança do modelo de negócio

Por 27 de outubro de 2017 Nenhum Comentário

Este artigo é um resumo das questões apresentadas no case produzido pelo Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

A WayCarbon nasceu em 2006, fruto da iniciativa e investimento próprio de cinco sócios. Era a época do surgimento do mercado regulado de créditos de carbono. A então MundusCarbo Soluções Ambientais e Projetos de Carbono concorria com grandes players em um mercado ainda incipiente no Brasil. E foi aos poucos, executando projetos menores, por vezes mais difíceis, que a empresa ganhou expertise na área.

De lá pra cá, a WayCarbon cresceu em atuação e operação, passou por uma fusão que teve fim em 2013 e viu a crescente necessidade de pivotar para um modelo de negócios mais escalável. Os sócios chegaram ao entendimento de que a saída seria adotar uma abordagem de produtização, ancorada em serviços de software (SaaS) e reposicionando o papel da consultoria no mercado de maneira a torna-la mais estratégica – um projeto que começou a tomar forma ainda em 2012.

Uma transformação inevitável

Esse movimento de produtização da consultoria é uma tendência observada em estudos como o relatório The Future Of Consulting Through 2020: Digital Is Changing The Operating Model, Services, And Strategies Of Consulting Firms, de Marc Cecere, publicado em 2016. Nele, o autor afirma que o modelo de consultoria passará por mudanças drásticas na próxima década.

Isso está relacionado a uma mudança da percepção de valor por parte do cliente. Hoje, com as transformações promovidas sobretudo pela tecnologia, o consumidor espera resultados rápidos e tangíveis, alinhando conhecimento especializado a uma capacidade de analisar e tratar dados.

Nesse sentido, a aplicação de inteligência e propriedade intelectual para entrega de serviços através de software ou outros ativos organizacionais é uma alternativa que satisfaz essa busca por escalabilidade. O serviço é adaptável à necessidade do cliente, mas opera dentro de um processo previamente elaborado.

A integração da tecnologia de informação no negócio de consultoria ambiental

O ponto chave da mudança de modelo é utilizar a tecnologia como inteligência competitiva. Estando em uma posição singular, a WayCarbon se diferencia da concorrência ao ofertar softwares que, aliados ao trabalho de consultoria, resolvem as “dores” ambientais dos clientes. Não se trata da venda de um produto, e sim a venda da solução. O cliente está comprando um resultado de alto valor agregado, proporcionado pela combinação entre o serviço e o produto físico.

Ainda em 2012, a empresa mudou sua sede em Belo Horizonte para o BH-TEC. Estar dentro de um ambiente de inovação tem um valor simbólico importante no reposicionamento da empresa. Foi também participando desse ecossistema que a WayCarbon estabeleceu relações que viabilizaram a inovação dentro da empresa.

Assim nasceram as quatro soluções tecnológicas disponibilizadas hoje: o Climas, o Amigo do Clima, o MOVE (Model for Vulnerability Evaluation – Modelo para Avaliação de Vulnerabilidade) e a mais recente, o LicenTIa. Os serviços são complementares, com grande possibilidade de conexão. Cada uma delas contou com uma estratégia diferente de financiamento e desenvolvimento.

Os dilemas de um modelo híbrido

Agregar valor de serviço a um produto é o caminho mais comum, adotado por empresas que querem valorizar sua marca. A WayCarbon percorreu o caminho inverso: uma empresa essencialmente de serviços, que está incorporando produtos ao seu portfólio. Como transformar um modelo tradicional de consultoria para um baseado em ativos organizacionais (asset-based) ou SaaS?

A venda de um software é diferente da venda de um serviço de consultoria. Por isso, o esforço é voltado para construir um mercado para a oferta conjunta de consultoria e soluções tecnológicas. O cliente final deve entender o serviço como um valor agregado ao produto, e que o sucesso da estratégia depende de um certo grau de autonomia da empresa contratante.

Os impactos na gestão interna

Trabalhando em um modelo híbrido, a WayCarbon acaba contando com uma equipe interna formada por profissionais com características muito distintas: os desenvolvedores de software e os consultores em sustentabilidade. Um dos maiores desafios é que todos os funcionários enxerguem o processo de ponta a ponta, trabalhando de forma integrada.

Esses dilemas revelam que inovar em modelo de negócio é uma tarefa complexa, não apenas para a WayCarbon, mas também para outras empresas de serviços que estão buscando o crescimento via produtização e incorporação de tecnologias digitais. Os desafios vão desde o nível mais simbólico (tal como a identidade da organização) até os mais tangíveis (tal como o recrutamento e a gestão de pessoas).

Confira mais detalhes sobre a trajetória percorrida pela WayCarbon até aqui e as estratégias adotadas para contornar essas dificuldades no documento completo

Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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