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O desafio das médias

Por 11 de outubro de 2017 Nenhum Comentário

Empresas estabilizadas, com produtos testados e aceitos no mercado. As médias empresas representam cerca de 13% do total de empreendimentos do país, de acordo com o Censo das Empresas Brasileiras de 2012 do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação). Em um ambiente dominado por empreendimentos menores e sem o poder político e a maturidade de gestão de uma grande empresa, as médias encontram dificuldades para manter os negócios em alta.

Conversamos com Roberto Oliveira, CEO e co-fundador da Take, e João Luiz Neves, CEO da SEVA. Os empreendedores comentaram sobre os principais desafios para negócios desse porte.

O desafio do crescimento

Para os empreendedores, manter um fluxo de crescimento acelerado é o maior desafio das médias empresas. Mesmo estando em um momento mais estável em comparação às micro e pequenas empresas, as médias são negócios mais robustos. Mais departamentos e mais complexidade administrativa significam mais dificuldade em enxugar custos quando necessário.

Há obstáculos fundamentais:

• A burocracia tributária
Um dos principais entraves para o crescimento das médias reside na burocracia tributária.
Quando o faturamento de uma empresa cresce, as obrigações tributárias vão se tornando mais complexas e onerosas – fenômeno conhecido como Custo Brasil. Por exemplo, enquanto microempresas recolhem contribuições previdenciárias junto a outros tributos federais, empresas maiores são submetidas a formas distintas de recolhimento – como o ICMS e o IPI.

Para João Luiz Neves, CEO da SEVA, a burocracia tributária brasileira é uma das principais dificuldades enfrentadas por uma média empresa. “A média é forçada a investir parte da sua inteligência na prestação de contas. As tributações que se subdividem em várias categorias e alíquotas diferentes”.

O Brasil conta, hoje, com três sistemas de tributação: o Simples Nacional, que contempla micro e pequenas empresas, e os sistemas de lucro real e lucro presumido, ao qual se aplicam as médias e grandes empresas. De maneira geral, o Simples costuma ser um sistema mais benéfico, não só pela carga tributária, mas pela complexidade da tributação.

A majoração do limite das empresas de pequeno porte é um dos grandes pleitos da comunidade empresarial, para que o salto de complexidade tributária não prejudique empresas com mecanismos de gestão ainda não tão maduros. A definição de empresas de pequeno porte, que podem aderir ao simples nacional, já não é corrigida há alguns anos. Uma mudança como esta seria justa, tendo em vista o processo inflacionário e a necessidade de fomento da atividade produtiva na crise.

• Linhas de crédito
Outro importante obstáculo para o crescimento das médias é a dificuldade em encontrar crédito a custo razoável. A impressão, aqui, é que as médias se encontram em uma espécie de limbo. Roberto relata que a maioria das opções disponíveis são concedidas inicialmente para startups, ao mesmo tempo que negócios de grande porte costumam ter exclusividade em linhas de crédito mais interessantes. Para empresas de porte semelhante ao da Take, as opções de crédito disponíveis acabam sendo mais restritas.

• Investimento em inovação
A situação desfavorável acaba dificultando o deslocamento de recursos para pesquisa dentro da empresa – estratégia fundamental para que as médias vençam o desafio de permanecerem inovadoras após anos de atuação no mercado.

O outro lado da moeda
Diferente das startups, que costumam voltar todos os esforços para um único produto “vencedor”, as médias tecnológicas possuem uma variada carteira de produtos de alto valor agregado, além de maior estabilidade para correr riscos como a internacionalização. Essas condições acabam contribuindo positivamente para a balança comercial do país.

O impacto positivo também se estende às condições de empregabilidade. “Empresas do nosso porte têm a oportunidade de oferecer condições mais atrativas para os funcionários, em comparação com uma startup, mas mantendo a perspectiva de crescimento que falta às empresas de grande porte”, comenta Roberto.

As médias e os ambientes de inovação
A presença de médias empresas também representa ganhos em ambientes de inovação, como Parques e Polos Tecnológicos. Neles, a média empresa adquire um efeito de demonstração para startups e empresas menores, uma vez que um salto de crescimento leva em conta questões ligadas à organização interna, que não são triviais. É necessário um trabalho de aprimoramento de administração, e um ambiente em que médias empresas estejam inseridas, mesmo de setores diferentes, gera aprendizado de gestão.

Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

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