Inovação e Universidade

Para além da patente: para onde vai o conhecimento gerado na universidade?

Por 29 de setembro de 2017 Nenhum Comentário

Seguindo o crescimento do Brasil, que registrou 568 pedidos de patentes em 2016, quase 5% a mais do que no ano anterior, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) obteve o recorde em pedidos entre as universidades brasileiras de acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Com a área de biotecnologia liderando as requisições, seguida de engenharia, farmácia e química, ao todo foram 91 depósitos de pedidos, 31,8% a mais do que em 2015.

Este é um indicador muito importante, e que leva a algumas reflexões. O número revela não só o potencial inovador da ciência mineira, mas a competência da UFMG em firmar estratégias de proteção da propriedade intelectual. No entanto, é necessário considerar que o depósito de patentes é apenas uma das etapas da geração de conhecimento. Partindo da ideia de que papel da universidade é transformar a sociedade através do conhecimento, é necessário que a instituição se dedique a aprimorar arranjos que permitam transformar essas informações em produtos, processos e serviços.

O lugar da patente
Para um produto ser patenteável é preciso atender três requisitos, previstos na Lei da Propriedade Industrial (LPI): novidade, a matéria objeto da pesquisa precisa ser nova não pode ter sido divulgada; atividade inventiva, ou seja, os resultados da pesquisa não podem ser óbvios, devem ser inovadores e possuir novas funções do que as já conhecidas; e também é preciso ter aplicação industrial. Quando a patente é concedida, confere segurança para o ambiente de inovação, confirmando a exclusividade do produto que pode ser então produzido de fato.

Ainda há dificuldades
O fator limitante para mais registros certamente não é a criatividade dos profissionais brasileiros. Por aqui, o principal obstáculo enfrentado é a falta de normatização. Os maiores problemas são quadro insuficiente de pessoal envolvido com os pedidos de patentes, manutenção da equipe especializada e o longo processo de análise, além de falta de investimento.
Segundo dados da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), em 2013 eram 96 pedidos de patentes para cada examinador no Brasil, dez vezes mais do que nos Estados Unidos ou Europa. Fica claro que a ciência e inovação no país carece de alternativas para continuar crescendo.

Caminhos alternativos
Por lei, toda universidade deve contar com um núcleo de inovação. Na UFMG, a CTIT (Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica) cumpre esse papel. A estrutura desempenha o papel de consolidar expertises que vão além do depósito de patentes, como o apoio a ações de empreendedorismo, incentivos a startups e spin offs por meio da incubadora INOVA, inovação aberta e oferta e licenciamento de tecnologias.

É importante ressaltar que o depósito de patentes é uma estratégia inviável para algumas áreas do conhecimento como a Tecnologia da Informação, dado a velocidade com que os novas descobertas surgem no setor. Nesse caso, é fundamental investir em alternativas.

O interessante dessas estratégias é que, ao apostar em parcerias com o setor privado, a universidade dá um passo em direção a um alinhamento entre produção científica dentro da instituição e as demandas do mercado e da sociedade. A troca abre mais possibilidades para captação de recursos, além de contribuir para uma formação dos alunos mais conectada à realidade dos negócios.

No caso da UFMG, o esforço vem sendo investido especialmente em experiências de parcerias tecnológicas para atender a programas de inovação aberta. Em meio às negociações do Marco Regulatório da CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação), a universidade busca consolidar esse tipo de arranjo como parte de sua missão institucional. Iniciativas como o BH-TEC, que promovem o estreitamento das relações entre pesquisadores e empresas, estão inseridos nessa lógica e são um dos fatores que contribuem para que a universidade mineira conquiste resultados como estes.

Este artigo foi construído com a colaboração de Gilberto Medeiros e Juliana Crepalde, membros da CTIT (Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica) da UFMG.

Autor BH-TEC

O objetivo do Blog do BH-TEC é compartilhar, por meio das experiências dos nossos colunistas, informações inerentes a CT&I, que perpassam a rotina das empresas de base tecnológica e impactam a vida de todos nós. Bem-vindo(a) a essa brilhante viagem!

Mais posts de BH-TEC

Deixe um Comentário