Mercado

Oportunidades e desafios revelados pela pesquisa da CVM acerca do mercado das Fintechs

Recentemente, a instituição reguladora do mercado de capitais brasileiro (“CVM”) desenvolveu pesquisa a respeito do desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias ­ financeiras (“FinTechs”) com o objetivo de compreender o seu potencial impacto no mercado de capitais brasileiro.

A pesquisa formulada foi respondida 91 (noventa e uma) vezes, computando-se respostas de 80 (oitenta) empreendimentos do segmento.

Abaixo, encontram-se relacionadas algumas das conclusões da pesquisa realizada:

  • 25,0% são sediados no estado do Rio de Janeiro; 51,3% em São Paulo; 5% em Belo Horizonte;
  • 77,5% dos empreendimentos são operacionais;
  • 70% dos empreendimentos são compostos por até 10 pessoas, incluindo fundadores;
  • a média do faturamento dos empreendimentos deve apresentar, em 2016 (período de realização da pesquisa), crescimento de 3x em relação ao faturamento obtido em 2015;
  • 45% dos empreendimentos não está ligado a nenhum tipo de iniciativa que estimula o empreendedorismo, estando os empreendimentos restantes divididos de forma bastante homogênea entre aqueles que receberam investimento de investidores anjo, venture capital, incubadoras, aceleradoras, dentre outras;
  • 57,5% por cento dos empreendedores responderam estar em busca de investidores;
  • Pouco menos de 30% dos empreendimentos responderam não ter qualquer tipo de vínculo com empresas do segmento financeiro. Entretanto, grande parte das que responderam haver esse vínculo, não estavam vinculadas a instituições financeiras em si, o que demonstra que a aproximação tem ocorrido com o mercado de capitais;
  • Mais de 50% acreditam que as transferências ­financeiras, tais como pagamentos, transferências internacionais, operações de crédito, representam o campo que mais tende a ser afetado em decorrência das FinTechs;
  • Quase 70% contaram, até o momento, apenas com recursos próprios e de familiares para se desenvolver.

A pesquisa realizada foi respondida até o final de outubro de 2016. De lá para cá, esse mercado se aqueceu ainda mais e certamente teríamos hoje um campo de pesquisa muito mais amplo.

De todo modo, é possível perceber pelas respostas colhidas, tanto as oportunidades existentes, quanto os desafios a serem vencidos.

A respeito das oportunidades, podemos citar o baixo número de empreendimentos que já contaram com a captação de recursos de terceiros, o que deixa margem para que isso ocorra no futuro, por parte dos investidores que se mostrarem interessados.

No campo dos desafios a serem vencidos, temos, por exemplo, a menção ao fato de se acreditar que as transferências ­financeiras, tais como pagamentos, transferências internacionais, operações de crédito, seriam o campo que mais tende a ser afetado em decorrência das FinTechs, quando se sabe que se trata de uma atividade altamente regulamentada, estando a atuação condicionada a uma série de exigências e requisitos dos entes governamentais competentes.

Outros desafios a serem vencidos foram alvo de algumas ações positivas dos entes governamentais recentemente, e é possível que algumas delas tenham repercussões interessantes no ecossistema. Podemos citar:

  • Flexibilização trabalhista;
  • Regulamentação da oferta pública por meio de plataformas de crowdfunding;
  • Regulamentação da atuação do investidor anjo;
  • Abertura de consulta pública pelo Banco Central acerca da regulamentação das Fintechs.

São todas iniciativas que ainda demandam ajustes, amadurecimento das instituições e dos envolvidos, mas que já mostram um cenário, ao menos, simpático ao desenvolvimento dessas iniciativas e do ecossistema como um todo.

Aproveitar tais oportunidades demanda, obviamente, cercar-se de assessoria especializada acerca dos temas em destaque, para que a oportunidade não vire “pesadelo”.

Autor Pedro Paulo Moreira Rodrigues

Bacharel e mestre em direito empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos, autor de diversos artigos publicados, professor de cursos de graduação e pós-graduação, especializado em consultoria em fusões e aquisições e mercado de capitais.

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