Desenvolvimento e Inovação

Lei de Migração e Inovação – Parte 1

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A recente sanção da Lei de Migração, que substitui o antigo e já obsoleto Estatuto do Estrangeiro, constitui avanço significativo no tratamento dado a cidadãs e cidadãos de outras nacionalidades que desejam, temporária ou indefinidamente, residir no Brasil.

Além de conferir diligência nos processos de emissão de visto e autorização de residência a mulheres e homens estrangeiros em nosso território, a nova Lei propiciará oportunidade ímpar para que o Brasil adote uma estratégia especificamente voltada para a atração de talentos, que vise a suprir dois objetivos bem claros: 1) tornar os ecossistemas brasileiros de inovação mais cosmopolitas e internacionalizados; e 2) suprir déficit de mão-de-obra qualificada nos setores intensivos em alta tecnologia, especialmente em TICs. Sobre este, falarei na segunda parte deste artigo.

A verdade é que não existe inovação sem diversidade. As múltiplas diferenças de origem e de formação intelectual e profissional representam traço fundamental para a construção de ecossistemas de inovação mais maduros, inseridos de forma mais competitiva nas cadeias globais de valor.

O choque de ideias, de pontos de vista, de impulsos de criatividade (insights) entre indivíduos de diferentes nacionalidades numa mesma equipe de profissionais é considerado essencial para a dinâmica do processo criativo em empresas de base tecnológica, laboratórios, universidades e centros de pesquisa e desenvolvimento.

Não é para menos que a população de São Francisco, na Califórnia, a cidade mais inovadora do mundo hoje, seja composta por 70% de estrangeiros. No Brasil, a proporção de estrangeiros que trabalham numa mesma equipe de engenheiros ou pesquisadores mal consegue ultrapassar, quando muito, a marca dos 15%.

Muito embora seja reconhecidamente competitiva em setores específicos, a inovação no Brasil necessita de ser mais internacionalizada, com vistas a um maior protagonismo e relevância do País nos processos globais de inovação, crescentemente complexos e exigentes. Sob esse aspecto, uma política imigratória voltada para a atração de talentos, no marco da nova Lei de Migração, é tudo o que o país precisa no momento.

Autor Juliano Alves Pinto

Diplomata de carreira e atual subchefe da Divisão de Ciência e Tecnologia do Itamaraty, tendo sido durante quatro anos Cônsul para os Assuntos Comerciais e de Ciência , Tecnologia e Inovação em San Francisco, EUA (2013-2016).

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