Monthly Archives: fevereiro 2020

Nova empresa, novas conexões

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A Tera Geosoluções iniciou suas atividades no BH-TEC. A empresa desenvolve produtos de geotecnologias para levar o uso de inteligência geográfica ao planejamento territorial de setores públicos e privados. As principais áreas de atuação são gestão municipal para smart cities, gestão estadual, mineração, concessionárias de água e energia, entidades de classe e outros.

“Que o ambiente do Parque Tecnológico seja um local que propicie a aceleração do nosso processo de consolidação no mercado e crescimento. Esperamos que o BH-TEC nos renda boas parcerias, relacionamentos estratégicos e ótimos contratos! Que esse novo ciclo seja de muita prosperidade para a Tera e todos nós”, espera a CEO da empresa, Débora Brier,

A equipe do BH-TEC e as empresas residentes desejam boas-vindas!
Conheça a atuação da Tera.

O Brasil está preparado para o Coronavírus?

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Pesquisadores ressaltam importância de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação;
Brasil descumpre meta estabelecida nos últimos anos de investir, pelo menos, 2% do PIB nestas áreas;
A segurança biológica do país passa pela sua capacidade científica.

 

O surto do Coronavírus (2019-nCoV) joga luz sobre a capacidade científico-tecnológica de o Brasil lidar com essa epidemia. Apesar de, até o momento, o Ministério da Saúde monitorar somente 14 casos suspeitos no país, a Organização Mundial da Saúde declarou estado de emergência global. Nesse contexto, estamos preparados? Segundo pesquisadores, não.

No que tange ao diagnóstico, o Ministério da Saúde orientou a atualização de planos de contingência aos estados. “Contudo, é preciso muito mais. É um vírus com ampla capacidade de disseminação e que demanda novas frentes de estudos e pesquisas e níveis de segurança biológica maiores. Nesse sentido, surgem oportunidades para trazer eficiência (segurança e agilidade) no diagnóstico por meio da análise molecular e testes sorológicos”, ressalta o pesquisador Flávio Guimarães Fonseca do Centro de Tecnologia em Vacinas (CT Vacinas), do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), o pesquisador conta que, por questões de biossegurança, todo processamento de amostra em caso suspeito deve ocorrer apenas em Laboratório com Nível de Biossegurança 3 (Laboratório NB-3). Contudo, segundo o Ministério da Saúde, há atualmente somente 12 em instituições de referência que foram construídos para realizar o diagnóstico laboratorial em condições de nível de biossegurança 3. Esses laboratórios permitem a realização de ensaios diagnósticos que, pela sua complexidade, exigem condições especiais de segurança.

Outra frente fundamental é a vacinação. O microbiologista e médico Yuen Kwok-yung anunciou que pesquisadores de Hong Kong desenvolveram uma vacina contra o novo Coronavírus. No entanto, ela ainda precisa ser testada em animais, o que deve levar um longo período, segundo reportagem do “South China Morning Post”. Uma equipe de cientistas do Instituto Peter Doherty, na Austrália, também informou que desenvolveu uma versão de laboratório do novo vírus, ação que pode acelerar a criação de uma vacina. Essa amostra foi compartilhada com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e laboratórios de todo o mundo.

A pesquisadora do CT Vacinas Ana Paula Salles Moura Fernandes, orientadora dos programas de pós-graduação em Genética e Ciências Farmacêuticas da UFMG, enfatiza que o Brasil tem importante comunidade científica, que oferece respostas a diversas crises na saúde pública nacional, como a zika. “Porém, ainda há dependência de centros internacionais para importação de vacinas. É essencial o investimento em infraestruturas – como centros de tecnologia e pesquisas – para a garantia da segurança biológica no país e para a promoção do desenvolvimento.”

Desinvestimento

Os dados vão na contramão deste cenário. Segundo levantamento realizado em 2015 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o Brasil ainda está distante dos países mais avançados, tanto no dispêndio em pesquisa e desenvolvimento (P&D) como nos recursos humanos envolvidos, sendo imprescindíveis investimentos crescentes para que esse quadro seja alterado nos próximos anos.

Em termos de percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil investe muito pouco se comparado à média dos países da OCDE e menos ainda se comparado a países desenvolvidos e algumas nações emergentes do BRICS (formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).  Em média, o Brasil investiu nas últimas duas décadas entre 1 e 1,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, tendo alcançado seu pico de investimento em 2015. De lá para cá, esse investimento vem caindo, descumprindo a meta então estabelecida de investir pelo menos 2% do PIB até 2019. Considerando apenas a participação pública nesses investimentos, que é de cerca e 0,5, a 0,6% do PIB (ou cerca de 50% do total de investimento em CT&I), verifica-se que este valor é, pelo menos, duas vezes menor do que o investimento público médio realizado em outros países da OCDE.

Caminho

As pesquisas realizadas nas universidades e nos institutos, bem como as respostas aos problemas da sociedade, são meios para o avanço do conhecimento, necessário ao desenvolvimento socioeconômico sustentável. O Brasil conta com centros de excelência científica, capazes de oferecer respostas a importantes questões de saúde pública.

O Centro de Tecnologia em Vacinas (CT Vacinas) é um deles. Resultado da parceria entre a UFMG, Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas) e o Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), é um centro de pesquisas em biotecnologia que desenvolve novas tecnologias ligadas à produção de kits de diagnóstico e vacinas contra doenças humanas e veterinárias como a leishmaniose, doença de Chagas, zika, dengue, chicungunha, entre outras.

Os pesquisadores Flávio Fonseca e Ana Paula Fernandes reforçam a necessidade de implementação de políticas públicas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, garantindo a cobertura universal da saúde. Eles participam, no próximo dia 10, de uma reunião no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em que serão discutidas as prioridades de investimento e de pesquisa em Coronavírus e viroses emergentes.

BH-TEC - Parque Tecnológico de Belo Horizonte